domingo, 31 de janeiro de 2016

Jonas e o patrão


Jonas, o velho e bom caseiro da Fazenda Brito, possuía a faculdade de ver aparelhos voadores não identificados e almas, nas estreladas noites de Irauçuba. Muito apegado e reconhecido, depois da partida do seu patrão Ozires, então, garrou a vê-lo muitas vezes.

Daí, sabendo das faculdades extra-sensoriais de Jonas, Luiz puxou conversa no alpendre da fazenda.

- Jonas, e o papai? 
- Doutor Luiz, todas as noites o Senador vem me ver. 
- É?
- É, sim senhor.
- E você conversa com ele?
- Não, ainda não. 
- E como é que você o vê?
- Doutor Luiz, ele é a noite toda pra lá e pra cá!
- Fazendo?
- Reparando as coisas, né?
- E você não tem medo dele, não?
- Não, agora eu pedi pra ele só passar por debaixo da minha rede!
- Por que?
- Porque ele tá com a mania de balançar a minha rede e eu não gosto disso, não! 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Histórias da vovó Lissinha

"Respeitem o Papa!"


Durante a visita do Papa à Fortaleza, em 1980, por ocasião do X Congresso Eucarístico Nacional, um delegado da cidade de Sobral mandou recolher o arranhado disco do Luiz Gonzaga, que cantava a música Obrigado João Paulo II. Ocorre que o elepê já estava quase furando de tanto tocar na boate da Dozinha, com as animadíssimas donzelas da casa balançando o esqueleto com seus fieis fregueses.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Lavar a burra


A expressão lavar a burra significa a ocorrência em que o indivíduo faz um bom negócio ou levar vantagem. 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A ARTE, de Hélio Oiticica


“A ARTE é a amante mais cara que você pode arranjar. Com mesquinharia não se faz arte.” (Hélio Oiticica)

Velhaco


Ricardão deixou de andar pelo bar do Juvenal, ali, perto da linha do trem. O motivo arrazoado era a volta de um cheque pago na conta de duas geladíssimas cervejas e cinco fichas de sinuca. 

Se tinha uma coisa que Juvenal não perdoava em seu bar, era conta não paga. Portanto, o cheque do Ricardão foi devidamente pregado no quadro de honra dos velhacos do lugar. 

Como notícia ruim voa e se espalha ligeiro, Ricardão era informado o tempo todo sobre a existência do tal cheque no Juvenal. Azucrinado com tal situação, ele pediu ao sócio Bigode o obséquio de ir ao intolerante estabelecimento para efetuar o resgate daquela mal sucedida ordem de pagamento. 

Sem muito tempo, avexado, Bigode chegou no Juvenal, abancou-se no apoucado e cheio salão, chamou o garçom, pediu uma cerveja, duas, três, criou coragem e solicitou a conta. 

- E por favor, some à dolorosa o valor daquele cheque de tantos poucos reais. 
- Patrão, aqui, resgate de cheque, só com gaita viva, em espécie.
- Taqui, ouvindo a conversa... [Folheando as trocadas cédulas]

Grana pra lá, conta cá, o garçom foi ao quadro de honra, tirou o cheque e entregou ao Bigode. Daí, o amplo silêncio que assistia aquela cena só foi quebrado quando Bigode, já na calçada, indo embora, em coro foi saudado pela canalha: 

- Já vai, né, velhaco?! Pensava que a gente não tava vendo!

E a vaia comeu de esmola!

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Depressão pós-parto


Depois de ver sua mulher partir para nunca mais voltar, sentindo-se completamente abandonado, o agrimensor Agamenon pediu licença na repartição para tratamento de saúde, alegando "depressão pós-parto".

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Solitário macambúzio


Almoçando no Flórida Bar, acompanhei um boêmio ficar sozinho, aos poucos, na mesa ao lado.

Quando o último dos moicanos levantou-se, alegando ter que ir trabalhar, enrolando a língua, o solitário macambúzio falou:

- Você está sendo muito perverso, viu?

(Foto: Totonho Laprovitera)

domingo, 24 de janeiro de 2016

Flávia Wenceslau

A macumba da Dona Fátima


Eu morava em João Pessoa, na Paraíba, e estava mais magro do que nunca! Na balança, com o sabonete na mão, pesava uns cinquenta e poucos quilos, no máximo! E para agravar a situação, a minha vida era toda desregulada. Dormia pouco, me alimentava mal e farreava todo o santo dia. Estava em tempo de adoecer.

Dividindo a morada no Edifício Beira Mar com os amigos Toinho, Afonso, Paulo e Helder (o único mais ou menos organizado do grupo), tínhamos como empregada doméstica Dona Fátima, uma avantajada negra, bem alta, dos olhos acesos feito brasa, de sisuda expressão de humor e adepta fervorosa do culto sincrético da macumba.

Dona Fátima não dava trela a seu ninguém, pois vivia a mentira de dizer para seu violento esposo, um dos presidiários mais perigosos do Estado da Paraíba, que trabalhava na casa de cinco “moças” cearenses. Durante o tempo em que passou com a gente, algumas passagens tornaram-se inesquecíveis.

1. Flagrada em casa, vestida com um meu calção, ela justificou-se dizendo que estava fazendo um aborto e o tinha vestido pela comodidade do manejo de uma sonda que estava usando. Inquirida se não estava cometendo um crime, ela respondeu: “Ah, é? E qual dos patrõezinhos vai querer criar o bruguelinho?”

2. Chamada atenção pelo sumiço temporário da faca da cozinha, ela justificou-se: “Fui eu que levei, e daí?! Taqui de volta. Tava precisando para um despacho numa encruzilhada que eu fui fazer perto daqui de casa.” 

3. Prestando atenção à gente, quando combinávamos com as namoradas para sair à noite, comentou: “Ô bando de menino besta, se fossem comigo à Zona, aí, sim, vocês iam ver o que é mulher!” 

4. Comunicada da dispensa de seus serviços, em nosso lar, ela não se conformou. Depois de insistirmos que não mais precisaríamos de seus préstimos profissionais e que ela tinha que ir embora, ela não arredou o pé de suas convicções e sentenciou: “Vou é porra!”

Mas, precisada de dinheiro, foi que Dona Fátima resolveu armar uma para filar um troco. Vendo-me impressionado com a minha assustadora magreza, ela convenceu-me de ir ao terreiro de macumba, pois sentia que eu padecia do encosto de um espírito ruim. Relutei um pouco, mas acabei cedendo à ideia quando Toinho disse que cometeria a amiga cortesia de me levar em seu descolado Chevrolet Opala Cupê amarelo. 

Tudo combinado, partimos ao terreiro, porém, no meio do caminho, o carro deu prego. Dona Fátima comentou: “É o tal do espírito querendo impedir a nossa ida.” Toinho abriu o capô do automóvel e verificou que era apenas um pequeno problema na rebimboca da parafuseta. Efetuado o acerto, o motor pegou e seguimos viagem. Ao chegarmos ao nosso destino, já tinha um bocado de gente me esperando. E não perderam tempo! Foram logo me benzendo, me dando passos, me envolvendo... Aí, rebolaram um litro de álcool no meio do terreiro e tocaram fogo! A Mãe de Santo me abraçou e, estrebuchando, disse que ia me salvar das garras da terrível e malamanhada entidade espiritual que estava me secando. Dona Fátima perguntou o que ela poderia fazer pelo patrãozinho e ela disse que receitaria um tratamento adequado para tal mal que me acometia. Findo nossos assuntos, de volta pra casa, assuntamos: 

- Meu patrãozinho, tenha fé, o senhor vai ficar bom. 
- Bom de que, Dona Fátima?
- Vai se livrar desse espírito perverso que tá só lhe secando... 
- Que papo é esse, Dona Fátima?
- E o senhor acha que essa sua magreza vem de onde? 
- Do encosto?
- Dele mesmo! Olha, meu patrãozinho tem a cara de abestaiado, mas, tá é ficando esperto... 
- É?
- Destá! E agora é só receber as graças da minha mãezinha e começar logo esse tratamento... 
- Caridosa a sua mãezinha, né?
- Ôxe, é muito caridosa e não cobra nada pelo bem que faz! Mas, como meu patrãozinho também é muito caridoso, vai dar um dinheirinho pra ela continuar livrando as pessoas do mal, tá certo?
- Comequié?!

Desconversado o assunto de ordem pecuniária, chegamos em casa e a partir daí, coisas estranhas começaram a acontecer. Primeiro, sumiu a chave da porta principal do apartamento. Depois, à noite, o registro geral de energia desligava e tome apagão! Como se não bastasse, vultos cortavam o corredor, topavam na porta do quarto, até que um dia, tive o susto maior: ao acordar, pressentindo a presença de alguém me vigiando, a um palmo dos meus olhos, uma peruca de cabeleira acaju estava sendo escovada na minha cara! Tomei um susto lascado, dei um pulo da rede, a assombração meteu o pé na carreira, mas deu para eu identificar que era uma negra alma. 

Perguntei à Dona Fátima sobre tal marmota e ela negou a sua autoria, dizendo que eu estava era lelé da cuca. 

- Tudo bem, Dona Fátima, vou resolver esse problema é lá no Ceará, onde tenho laços estreitos de amizade com Mãe Júlia, uma santa mãe-de-santo que é amiga da minha família! 

Vim à Fortaleza e passei um mês de férias. Quando voltei à João Pessoa, curiosa que só, Dona Fátima foi logo perguntando como eu estava e o que eu tinha feito no Ceará. Contra-atacando, para me defender, me vali de um criativo plano da minha imaginação. 

- Dona Fátima, estou bem demais! 
- Que ótimo. 
- Mãe Júlia me abençoou e disse que nenhum espírito maligno afligia a minha vida. 
- Ah, foi? Eu sempre achei isso... 
- Agora, eu procurei um amigo que é mestre da quimbanda e ele me garantiu que o caldeirão irá ferver para quem estiver desejando ou fazendo mal contra a minha pessoa! E os ditos-cujos são do mundo dos vivos! 
- E o meu patrãozinho acredita nessas coisas, é?
- Vai ser pei-bufo! Ele já se valeu de Pombagira, Exu Caveira, Belzebu, Príncipe dos Demônios, Senhor das Moscas e da pestilência... E dos demônios mais poderosos do inferno, que só se curvam perante Lúcifer! 
- Ôxente, e lá tem quem não queira bem ao meu patrãozinho! 
- (Tá pedindo penico, né?) [Pensei]

Pois é, daí, as assombrações sumiram do mapa!

sábado, 23 de janeiro de 2016

Alma


Segundo o professor Carlinhos Analfabético, “o termo alma é proveniente do hebraico nephesh, que expressa vida ou criatura. Do latim animu, também significa ‘o que anima’. Na religião possui grande importância, pois é motivo de dar capacidade ao indivíduo para fazer e viver coisas e momentos complexos.”

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Na mira


Como diz Toim da Meruoca, "a embriaguez é o exercício da lucidez!"

(Foto: Totonho Laprovitera)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Colher de prata

Colher de prata do tempo do cangaço.

Sobre o cangaço, muitos textos conferem a Lampião o costumeiro exame em alimentos, supostamente contaminados por venenos, servidos por falsos coiteiros.

A comprovação do mortífero veneno sucedia pela mudança de cor de uma colher de prata, quando entrava em contato com tal comida ou bebida. 

Segundo Leonardo Mota, "No sertão pernambucano, uma mulher pretendeu envenená-lo. Lampião convidou-a a beber da cachaça em primeiro lugar. Ela desculpou-se, alegando que estava purgada. Virgolino tirou do embornal uma colher de prata e meteu-a no copo. A colher enegrece. Lampião percebe a cilada, agarra pelos cabelos a ousada sertaneja, amarra-a ao tronco de uma árvore, embebe-lhe de querosene as vestes e queima-a viva, desfechando-lhe, por fim, um tiro de misericórdia no seio estorricado”.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O Objeto e a Imagem: um diálogo em preto e branco


Será aberta hoje,  quarta-feira (20/01/2016), às 19h, no MAUC - Museu de Arte da UFC, a exposição O Objeto e a Imagem: um diálogo em preto e branco. Pelas lentes do arquiteto Custódio Santos, a mostra aborda o modernismo arquitetônico de Fortaleza até a década de 1970, com as principais obras do movimento.
 
A exposição, com visitação até o dia 29/02/2016, é uma realização do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFC, junto com o IAB - Instituto de Arquitetura do Brasil / Departamento Ceará, e o CAU-CE - Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Ceará.

Boca fechada


Seguramente, para se proteger das agruras de alguma tirania, há quem tenha exercitado exaustivamente a faculdade de responder ou arrazoar sem nada dizer.

Daí, passado o tormentoso período, fica difícil para quem o sobreviveu de se entregar em alma ou mesmo falar de maneira fácil, direta e espontânea. 

Afinal de contas, em certos momentos faz-se prudente manter o silêncio para evitar consequências desagradáveis, pois em boca fechada não entra mosca.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Sábias palavras


Aí, numa calçada do Mucuripe, o velho Mestre Tatá falou para um jovem pescador: "Venha, se atrepe em riba desse monte de areia e espie a outra banda da vida."

(Foto: Totonho Laprovitera)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Pepe

José Capelo Filho (1946-2016).

Faleceu em Havana, Cuba, onde residia, José Capelo Filho, arquiteto graduado na Faculdade de Artes e Arquitetura da Universidade Federal do Ceará, Doutor pela Universidade Politécnica Superior de Arquitetura - Barcelona, Espanha, e especialista em restauração arquitetônica

No Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFC, Pepe foi meu primeiro professor da disciplina de Projeto Arquitetônico. Mestre camarada, tornamo-nos amigos além do campus da Universidade.

Pepe, saudade.

Birutinha


Tido e havido como o zé-doidim da rua, o inocente Birutinha vivia se declarando para as senhoritas que passeavam arrodeando a pracinha do bairro.

Aí, a estudiosa jovem Erisônia decidiu examinar o comportamento do popular Birutinha. Para tanto, como de costume, iniciou os estudos com uma anamnese, ou seja, uma investigação ao paciente buscando pormenores que ajudem no diagnóstico.

- Senhor Biruta?
- Digaí, fofolete, digaí, fofolete, digaí... 
- Senhor Biruta, do que você mais gosta? 
- Ei, ei, eu gosto de tu, eu gosto de tu... 
- Muito bem, e do que mais? 
- De Tota-Tola, Tota-Tola, Tota-Tola...

domingo, 17 de janeiro de 2016

Ônibus elétrico e chiclete Ploc


Em 1967, em Fortaleza, foi inaugurado o sistema de transporte público com ônibus elétricos que inteirava o percurso da Praça do Carmo até a Parangaba.

Ora, a novidade era boa demais pra mim, pois, do nosso sítio Guajiru - onde costumávamos passar as férias - ao ponto daqueles ônibus, era só seguir a pé pela Estrada da Serrinha, passar pelo colégio dos padres, pela fábrica de gesso, atravessar o trilho do trem, direto até ao outro lado da Igreja Matriz da Parangaba e chegar à Praça Coronel Alfredo Weyne, onde os coletivos estacionavam.

De quebra, naquele ano, ainda foi lançado o chiclete Ploc, propagado como melhor do que o Ping Pong, o preferido pelos tradicionais consumidores da velha goma de mascar.

Pois bem, em uma das programações de nossas férias, eu, meu irmão Gera e meu primo Miguel, pegamos um ônibus elétrico, nos largamos da Parangaba e fomos bater em uma banca da Praça do Carmo, onde compramos foi logo uma caixa inteira do novo chicle de bola, contendo 120 unidades de sabor tutti-frutti. Em pouco tempo, compulsivamente, mascamos a caixa toda, ao ponto de ficarmos de queixo doído.

Agora, sobre a Igreja Matriz de Parangaba, Paróquia Bom Jesus dos Aflitos, bem, lembro das concorridas missas celebradas por um padre que era a cara do cantor Agnaldo Timóteo. Talvez por isso, ele fazia o maior sucesso da paróquia com as fervorosas beatas de plantão, logo apelidadas de devotas de auditório.

(Fotos: Google)

sábado, 16 de janeiro de 2016

Privilégio à força


Comigo, acontece cada uma. Pois bem, certa vez, aqui em Fortaleza, o Fagner me pediu para deixar o Zico no aeroporto e, quando estávamos à caminho, o meu carro deu o prego. Daí, tive o privilégio de ter o Galinho empurrando o audaz Fiat Prêmio, que o Magrão (Sócrates) dizia ser um carro sem identidade, pois os documentos estavam sempre "atrasados"!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Véi no quarto


Mais uma vez, o bem-sucedido Dr. Erisvaldo estava apaixonado. E era por menina bem novinha. No restaurante em que frequentava o bar, entre um uísque e outro, encaixado por inúmeros cafezinhos, bilava a sapeca garota que costumava se interessar por homens de mais idade. 

Mexida a sua vaidade masculina, Dr. Erisvaldo partiu para a conquista da pueril jovem. Para tanto, decidiu cometer um mise-en-plis – operação que consiste em prender em cachos os cabelos molhados para que mantenham o ondulado depois de secos –, para depois pintá-los de negro, escorrendo a tintura aos pelos peitorais. 

Realizada a guaribada, Dr. Erisvaldo convidou a moça para conhecer um luxuoso motel da cidade. 

- Querida Yasmin, quero que esse nosso primeiro encontro seja laureado pelo esplendor que a sua importância depreca. 
- Depreca? 
- Sim, princesa, o que pede com reverência. 
- Nossa, Eris, você fala tão bonito... 
- Imagino você como alguém que me fará muito feliz. Alguém especial, que me completa e dará sentido a minha vida. 
- Entendi... 
- É verdade que teremos nossos momentos de fragilidade, nossas discussões, mas, sempre saberemos sobrepujar todos esses percalços que venham a surgir no nosso caminho. 
- Isso... 
- Saiba, você me é uma diva! 
- Ei, meu nome é Yasmin... 
- Digo, uma musa, uma divindade! 
- Imagina... 
- Amo você! 
- Ô, amor... 

Composto o clima propício para o cavaco amoroso, Erisvaldo pediu licença e dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, voltar cheiroso e entregar-se aos sequiosos desejos da sua amada. 

Porém, ao abrir a torneira do chuveiro a água jorrou pegando fogo, ao ponto de fazer largar o negro de seus poucos cabelos. Regulada a temperatura da água, Erisvaldo terminou seu banho e, de toalha enrolada no cós, seguiu de volta à alcova. Ao abrir a porta do banheiro, formou-se uma cortina de cerração no escurecido quarto. Aí, assustada que só, não reconhecendo o nebuloso vulto que fazia-se Erisvaldo, em pedido de socorro, a menina tacou um grito: 

- Chega, Erisvaldo, me acuda, que tem um véi nu no quarto!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Lua cheia


"Será que você, amor,
se esconde no outro lado dessa lua?
Será por isso, amor,
que eu vago tão só
pelas frias noites dessa cidade
a lhe procurar?"

(Totonho Laprovitera)

(Foto: Google)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Amantes


"... E, agora, nas frias noites
sempre me ocorre a tal certeza:
Para os amantes não dormirem
foi que Deus criou a madrugada!"

(Totonho Laprovitera)

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Gesto de amizade

Esopo, por Velázques.

"Nenhum gesto de amizade, por muito insignificante que seja, é desperdiçado." (Esopo)

Esopo foi um escritor da Grécia Antiga a quem são conferidas diversas fábulas populares. Tido como o responsável das fábulas como gênero literário, ao longo dos séculos, Esopo tem inspirado escritores como Fedro e La Fontaine, por exemplo. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Claudio Tozzi

Abandono


Esta comovente foto me despertou uma forte emoção, que enternece a alma de qualquer cristão.

Pois é, certa vez, ouvi dizer que "a maior dor é a da solidão do abandono".

(Foto: Google)

domingo, 10 de janeiro de 2016

Cine Ventura


Situado na esquina da Avenida Barão de Studart com Rua João Carvalho, o Cine Ventura possuía atípica arquitetura, onde o público ingressava à plateia pelo lado em que estava a tela. Outra curiosidade era a do arejamento mecânico, através de possantes ventiladores elétricos, e natural, quando se abria alguma janela. 

Agora, de lá, lembro bem da generosidade de um porteiro que deixava adolescente pagar inteira, para não apresentar a carteira estudantil e assistir filme proibido para menor de 18 anos. Lembro, ainda, de uma turma que entrava de graça, pulando o muro que separava o Cine com a Oficina Mecânica do Zequinha, que fazia serviços de funilaria, lanternagem e pintura pra seu ninguém botar defeito.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Babão


Mais do que uma pessoa que baba muito, o Babão é um bajulador que não desgosta e nunca discorda daquele que pode lhe causar benesses.

Traidor, falso e egoísta, para obter vantagens a todo custo, o Babão procura ter o máximo de intimidade com o seu superior, o qual, comumente, por ser uma pessoa vaidosa e apegada ao poder, adora ser babado. 

São sinônimos de Babão, por ordem alfabética: abestalhado, abobado, adulador, adulão, afetado, aluado, anhanho, apalermado, apancadado, apancado, aparvalhado, apatetado, asnático, atoleimado, baba-ovo, babaca, babado caído, babão, baboso, babujante, bajoujo, bajulador, banana, basbaque, bestalhão, bobalhão, bobo, boboca, boca-aberta, bocó, bucuva, chaleira, delambido, dengoso, derretido, desatilado, descerebrado, doidivanas, embeiçado, enrabichado, estólido, estulto, ignaro, imbecil, imbecilizado, inepto, inhenho, labrusco, lambão, lambe-cu, lerdaço, leso, lorpa, luxento, maninelo, nenho, néscio, pacóvio, palerma, palonço, palúrdio, papalvo, parvalhão, parvo, pascácio, pasmado, paspalhão, pastranho, pateco, pateta, pato, patola, puxa-saco, requebrado, samonga, sandeu, soronga, tacanho, tarouco, tolaz, toleirão, tolo, tonto, xeleléu e zote.

(Ilustração: Google)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Rosalice e Eustáquio


Mal iniciou o namoro entre Rosalice e Eustáquio, e os dois já tacaram a se desentender. Eustáquio era ciumento ao extremo, enquanto a ingenuidade de Rosalice era digna da pureza de uma carmelita descalça. Mesmo assim, Eustáquio não dava um minuto de trégua à namorada. Caçava e pastorava Rosalice o tempo todo. 

- Rosalice?
- Diga, Elineudo...
- Rosalice, meu nome é Eustáquio!
- Diga, Eustáquio... 
- Rosalice, quem é Elineudo?
- E eu sei?
- Rosalice, você seria capaz de me botar chifre?
- Deus me livre, Elineudo!
- Eustáquio!
- Deus me livre, Eustáquio!
- Por onde você tem andado?
- Me solta, Elineudo... 
- Quem é Elineudo?!
- Tá machucando meu pescoço... 
- Não vou soltar enquanto não disser... Diga!
- Eustáquio, Eustáquio... 
- Anda, me responda! 
- Eustáquio, sei lá quem é Elineudo... 
- Estranho essa sua história... Agora estou entendendo porque você anda com o celular desligado. 
- Eustáquio, eu tenho que trabalhar, né? 
- E precisa deixar o celular desligado?
- Me solta, Eustáquio! 
- Só quando você me contar quem é ele!
- Ele quem?
- O macho que você tá saindo!
- Eustáquio, não tô saindo com ninguém, não!
- Se continuar mentindo, vai ser pior... 
- Ah, é? Quer mesmo saber?!
- Diga logo, porra!
- Tá me machucando... 
- Fala, merda! 
- Ah, você quer mesmo saber, é? 
- Desembucha! 
- Com ninguém! 
- Quer dizer que você não anda me traindo?
- Não. 
- Nem pensou? 
- Pra você aprender, não! 
- Você acha que eu quero ser corno, né? 
- Ah, vai ver se estou na esquina, vai, seu bocó... 
- Vai pra baixa da égua, vá, sua rapariga!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Energúmeno


Um então falacioso superintendente, obeso naquela época, tornava-se pilhérico por suas “pérolas” de inteligência e competência profissional. Duas delas, não dá pra esquecer.

A primeira, quando da reunião com a técnica de uma instituição financeira internacional que fornecia empréstimos para países em desenvolvimento em programas de capital. Pois não é que, depois de ouvir da engenheira a ideia de humanizar um determinado projeto, o energúmeno levantou-se, ajeitou o cós da calça e metralhou: 

- Assim, a senhora quer me foder! Não tá vendo que não temos mais lugar presse tipo de marmota?! 

A segunda, quando da reunião de apresentação do projeto de um equipamento. Abertas as plantas na mesa de reunião, sentindo dificuldade em ler o projeto, ele perguntou: 

- Que diabo é isso aqui?
- É a representação através de desenho de uma escada, doutor. Respondeu o projetista.
- Ah... E quantos degrais ela tem?
- Desculpe, doutor, não ouvi a pergunta...
- Dezoito degraus! Intrometeu-se a assessora.
- Ãh? Insistiu o projetista.
- Tá moco, porra, dezoito degrais! Sentenciou o douto poderoso.

Olha, por tamanha ousadia e espaço ocupado, tem certo tipo de gente que, se tivesse apenas um pouco de estudo, seria um perigo para a humanidade!

Em tempo: Caso o "doutor" leia, pelo dicionário Aurélio, energúmeno quer dizer endemoninhado, possesso, fanático ou louco.