quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Na farmácia do Seu Almeida


Seu Almeida é um cidadão de bem. Vive na tranquilidade da sua moradia, posta no sobrado de sua tradicional e bem estabelecida farmácia, no Bairro Conjunto Esperança, em Fortaleza. 

Pois bem, após trabalhar pesado o sábado inteiro, fazendo as vezes de balconista, caixa, farmacêutico e enfermeiro, Seu Almeida subiu para seus aposentos, onde banhou-se, jantou, aboletou-se na velha rede de dormir, assistiu um riliquim de televisão e caiu num sono ferrado. A noite cerrou-se e uma repentina e brusca chuva começou a cair, compondo um clima ideal para a boa qualidade da dormida de qualquer cristão. 

Lá pelas tantas, Dona Mazé, sua esposa, ouviu o ecoado de um insistente toque-toque metálico na porta da farmácia. 

- Almeida, Almeida... 
- Que foi Mazé? 
- Almeida, tão batendo na porta da farmácia... 
- Ah, Mazé, essa não... Isso lá é hora de se ir à farmácia... 
- Almeida, vá lá ver o que estão querendo... 
- Mazé, tô morrendo de sono e não vou, não... 
- Almeida, vá lá... Vai que é um pai agoniado, na precisão de algum medicamento para um filho com febre, sei lá... Vá... 
- Mazé... 
- Vá, meu filho... Deus está vendo e é até uma caridade que você vai fazer. 

Aí, Seu Almeida decidiu-se largar do conforto de seu sono para atender ao “necessitado” cliente. Por riba do listrado pijama comprido vestiu-se de calça e camisa e, protegendo-se da chuva, desceu a escada externa da edificação. 

No aguardo, Dona Mazé escutou o subir e descer da porta de enrolar dar-se de jeito avexado. Depois, o arrastar das alpercatas e o tibungar do marido de volta à rede. 

- Que que foi, Almeida? 
- O que foi? 
- Sim... 
- Ora... Era só um bêbado querendo se pesar!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Bullying


Essa história quem me contou foi o Sitônio da Parangaba.

Na saída do colégio, um garoto falou para o pai.

- Papai, tem um menino que é só implicando comigo... 
- Como?
- Ele diz que eu sou igual carrinho de R$1,99... 
- Carrinho de R$1,99? 
- É... É aquele que solta a rodinha... 
- O que?!
- Diz que eu sou igual a pão de forma...
- Pão de forma?
- Sim, miolo mole, chato e fácil de comer... 
- E o que você diz?
- Nada. E ele só me chama de viado!
- Pois, meta a porrada nele, porra! 
- Não consigo, papai, ele é tão lindo!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Femínea


Habitam o meu imaginário as mulheres que eu desenho e pinto. 

Em cada gesto registro e retrato a presença do sentimento e o significado da minha inspiração. Desenhando com palavras, faço a pintura correr o risco em traços, nos versos, e cometo na tela, na pele, a poética visual do desejo.

Então, em cada trabalho dessa exposição apresento um poema com força e latência de um pensar ligado às ações que ensejam a passagem de um universo a outro: o do fazer ao do sentir.

Totonho Laprovitera

Velho colega


Noutro dia, na fila do banco, eu me encontrei com um velho colega do Colégio Batista, que fazia era tempo que não via. Daí, conversamos:

- Rapaz, há quanto tempo! 
- É mesmo, cara… Desde o ginásio… 
- E aí, macho véi, o que você tem feito da vida? 
- Ah, eu virei escritor… 
- Que legal! E tem vendido muito? 
- Muito!
- O que?
- Até agora, já vendi a tevê, o som, o celular… Quer comprar um Chevette 76?

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Palmas para Fagner

Fagner, no Palco Livro, montado no estacionamento do Centro de Convenções. 

Sendo a principal atração, no último sábado (19), o cantor e compositor Raimundo Fagner realizou o show de abertura da 9a. edição do Salão do Livro, no Centro de Convenções Parque do Povo, em Palmas. 

Ainda na capital tocantinense, Fagner foi homenageado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins, por ocasião de simpósio que teve participação de comitiva cearense.

(Foto: Acervo de Raimundo Fagner)

Dois galos


Essa quem me contou foi o Toim da Meruoca.

Do alto do poleiro dois galos – um velho e um novo – espiaram lá embaixo o terreiro apinhado de galinhas. Todo assanhado, o galo novo falou avexado: 

- Bora, bora, bora descer agora e pegar umas dez. 

O galo velho balançou a crista e disse: 

- Nada disso. Bora descer devagar e pegar todas.

domingo, 20 de setembro de 2015

Funcionário padrão


Na loja em que o Arquelau trabalha, o patrão chamou um dos seus funcionários e falou: 

- Eu quero dizer que há menos de um ano você entrou aqui como estagiário e, desde então, tem sido capaz e competente no desempenho de suas funções. 

O funcionário balançou a cabeça em sinal de contentamento e o patrão continuou: 

- E, apesar de sua pouca idade, pois mal completou 18 anos, já teve uma rápida ascensão. Tão-somente dois meses depois de chegar, você já foi promovido a supervisor! 

Encabulado, o funcionário sorriu e o patrão não parou: 

- Mais três meses e assumiu a chefia de sua secção. Não demorou nem três meses e já recebeu outra promoção, sendo designado chefe do departamento. E hoje, depois de apenas dois meses, já é um de nossos diretores. O mais brilhante deles! 

O pessoal já estava se sentindo exausto, quando o patrão arrematou: 

- Agora, como costumo ouvir a opinião de nossos colaboradores, eu lhe pergunto: Você está satisfeito aqui com a gente, com suas atividades, com suas promoções por merecimento e com o seu salário? 

- Estou sim, papai.

sábado, 19 de setembro de 2015

Motorista na UTI


Essa história aconteceu quando fui visitar o Seu Chico Figueiredo, internado na UTI de um hospital da cidade, acompanhando o Kiko, seu filho primogênito. 

Lembro demais do emocionado abraço que Seu Chico deu no Kiko. Parecia até que estavam se despedindo. Porém, uma ocorrência me marcou a aquela visita. A enfermeira chefe reclamou ao Kiko do Seu João Inácio, então motorista do Seu Chico, que além de não arredar o pé daquela unidade de tratamento intensivo, havia mexido em uns aparelhos. De pronto, Kiko tomou reagiu: 

- Seu João! 
- Pois não, Doutor Kiko. Respondeu, dobrando e guardando a revista As Piadas do Costinha, no bolso da camisa quadriculada. 
- Seu João, o senhor não pode ficar aqui assim, o tempo todo. 
- Ah, Doutor Kiko, não tem quem me tire daqui, não... 
- Ainda mais, o senhor anda até mexendo nuns aparelhos... 
- Peraí, Doutor Kiko, mexi porque foi preciso. 
- Como foi preciso?! 
- Doutor Kiko, o senhor sabe que se tem uma coisa que entendo é mecânica. 
- E o que é que tem a ver com a história? 
- Doutor Kiko, essas máquinas estavam fora de tempo. Eu só fiz foi regular elas!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Volta por cima


Reerguendo-se nos negócios, Zezinho Maia estabeleceu seu escritório no sítio de Messejana, pelo qual fazia questão de propagar: “Somente dois empresários da cidade possuem escritórios inseridos em área de chão contada em hectare: O Tasso e eu”! 

Pois bem, certa vez ele me telefonou para contar sobre os novos interesses e o quanto ele estava trabalhando. Eram muitos os afazeres e a dedicação ao trabalho fazia com que ele não tivesse tempo para mais nada. Enquanto, entusiasmado, ele elencava seus afazeres profissionais, eu, feliz pelo amigo, o parabenizava, desejando-lhe sucesso. Mas, o que achei mais interessante foi quando ele interrompeu a ligação, para corrigir o seu irmão: “Milton, não é assim que se parte uma cajarana, macho”!

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Saiu no jornal

Antonio Bandeira

Antonio Bandeira – Humanos na paisagem erótica – 1957 – Nanquim sobre papel – 27 x 35 cm.
Acervo do MAUC - Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará. 

Antonio Bandeira – Humanos na paisagem erótica – 1957 – Nanquim sobre papel – 27 x 35 cm.
Acervo do MAUC - Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará.

Ver de olhos fechados


Se você crê em transmissão de pensamento, então vai entender o assunto que agora vou dizer.

Penso que, não sei aonde, nem por quem, está sendo desenvolvido um aparelho em que as ondas eletromagnéticas se convertem em sinais diversos e teletransportados para o cérebro. Daí, as imagens se revelam nas mentes das pessoas que, por exemplo, poderão assistir um filme de olhos fechados.

Tal invenção advém da constatação de que, ao invés dos olhos, o cérebro é que enxerga. O resultado será o de assistirmos imagens com qualidade idêntica às que vemos quando sonhamos.

(Foto: Google)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Saiu no jornal

Antonio Bandeira

Antonio Bandeira – A grande cidade vertical – 1960 – OST – 162 x 97 cm. 
Acervo do MAUC - Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará.

Bem que poderíamos


No acesso ao Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, bem que poderíamos divulgar as nossas artes, com a instalação de painéis rotativos com obras produzidas por artistas cearenses.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Tamarino


Nativa da África equatorial e da Índia, o tamarino é uma fruta que os árabes a chamavam de “Tamr al-Hindi”, que significa “tâmara da Índia”.

Bem apreciado no Norte e no Nordeste brasileiro, onde se desenvolve melhor graças às altas temperaturas, o tamarino tem grande poder medicinal, sendo considerado um santo remédio pela coleção de doenças que pode tratar. É comum o seu uso para indigestão e como protetor natural da função cardiovascular.

Abundante em sais minerais e em carboidratos, repleto de calorias, o tamarino possui ácido tartárico que é um ótimo excitante das glândulas da saliva. Segundo o Dr. Zacarias Silva, “abocanhar um tamarino enquanto se masca uma peinha de fumo, além de fazer um bem danado pra saúde, nos faz lançar rajadas de cuspe de variados desenhos e cores psicodélicas”.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Saiu no jornal

Antonio Bandeira

Antonio Bandeira – Paisagem azul – 1969 – OST – 97 x 162 cm. 
Acervo do MAUC - Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará.

Parece que foi ontem

Pioneiros do surf cearense, na Praia do Titanzinho.

Da esquerda pra direita: Carlinhos Ramos, Jeane, Quinderé, Anselmo Mororó, Cacau Lima e Antonio Carlos.

(Foto: Arquivo Humberto Lima)