quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Tic-tac


O tic-tac era um brinquedo em que duas bolas de acrílico, presas a cordões, se batiam pra cima e pra baixo, conforme fossem balançadas pelo seu brincante. 

De tão famoso que ficou, nos anos 1970, o tic-tac ganhou versão genérica e passou a ser vendido por camelôs, no Centro da cidade, com a seguinte chamada: “Olha os zovos do Roberto Carlos! Quem vai querer?!”

O tic-tac mudou de nome.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

CAUSOS, em Sobral

Espetinho de filé miau


O espetinho de gato é um dos petiscos mais consumidos nas ruas, pelos mundanos de plantão.

Agora, a lenda urbana de que gatos viram churrasquinho não passa de uma lorota contada para assustar os humildes comedores da iguaria. 

Enfim, fornecida pelo ambulante Edvar, do Bairro Piedade, eis uma apetitosa receita do famoso espetinho. 

Ingredientes: 
- Carne cortada em cubos;
- Colorau, alho, óleo e sal;
- Espetinhos de madeira. 

Modo de fazer: 
- Depois de cortar a carne em cubos, em pedaços grossos, taque sal, colorau, alho e um pingo de óleo na carne; 
- Bote no fogo pra grelhar até o ponto preferido.

Muita gente gosta de comer o espetinho com vinagrete, que leva tomate, cebola, pimentão e coentro, temperado com sal, vinagre e azeite. Farofa também pode acompanhar. Para um sabor mais forte, pode ser usado o molho inglês pra incrementar.

“O petisco é apelidado de ‘espetinho de gato’ porque a negada duvida da procedência da carne. Tudo invenção do povo... Agora, bem ali, tem um fornecedor da carne que tá ganhando uma nota preta vendendo couro pra tamborim”, comenta o consumidor Bosco.

(Foto: Raphael Viana)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Humilhação


"O que mais me impressiona nos fracos, é que eles precisam humilhar os outros para se sentirem fortes." (Mahatma Gandhi)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Pela segurança do genro


Era cedo do dia quando Carlos Luís me ligou para contar a novidade. Pois bem, toda melosa, a sua filha caçula pediu-lhe a seguinte permissão:

- Paizinho, o Júnior pode dormir essa noite aqui em casa?
- Minha filha, e quem é Júnior?
- Paizinho, o Júnior é meu namorado... 
- Desde quando? 
- Desde anteontem... 
- E já quer dormir aqui?
- Sabe o que é, meu lindinho?
- Não, não sei.
- É que nós vamos a uma balada perto daqui de casa. Aí, é tão perigoso ele voltar pra casa dele, que é longe que só.
- É, mas, o galo da casa sou eu e aqui não tem vez pra frango, não!
- Eu sei, meu amor. Mas, é que eu tenho tanto medo que ele sofra um assalto, um acidente, sei lá...
- E aqui tem quarto sobrando pra acomodar o rapaz?
- Não vai ser preciso incomodar ninguém, paizinho...
- Ah, é?
- É, ele vai dormir no meu quarto.
- Na rede?
- Não, moreco, ele não dorme de rede.
- Sei...
- A gente dá um jeito de dividir a cama.
- Ah, sim...
- Tudo bem, dad?
- Bem, se é pra livrar o rapaz da violência que aflige a cidade... Tudo bem.

Decidida a questão, o genrão pernoitou na casa do sogrão. No dia seguinte, na hora do café matinal, Júnior chegou à mesa se espreguiçando, vestido com um curto e folgado calção, de pano leve, despontando o balançar de seus cavalares e másculos dotes. Aí, Carlos Luís, levantou-se e, prevenido, gritou:

- Tá armado?!
- Que é isso, tio? Bocejando, rebateu Júnior. 
- Atenção, negada! Cuidado! Todo mundo com a bunda na parede!
- Papai! Exclamou a filha.
- Qualé, minha filha?! Do jeito que o jovem aí está se apresentando, é capaz dele querer pegar é a família toda!
- Papai! Tornou a exclamar a filha.
- Chega Joly, passa já pro quintal que, pelo visto, com ele nem cachorro escapa!

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Música em casa


Nos anos 1960, nas sextas-feiras, meu pai costumava levar pra casa uma pilha de discos da loja Vox, de onde era amigo do dono, para a gente escolher com quais iríamos ficar.

Dentre os elepês e compactos da nossa discoteca, lembro do As 14 Mais; Bossa Nova; Cauby Peixoto; Chico Buarque; Dorival Caymmi; Ed Lincoln; Elis Regina e Jair Rodrigues; Golden Boys; Ivon Cury; Luiz Gonzaga; Metais em Brasa; Miltinho; Nat King Cole; O Cassino de Sevilha; Orgão, Samba e Percussão; os da Jovem Guarda; os de festas juninas; os de música clássica; os de música orquestrada; os de música romântica, os de Yê-Yê-Yê; Os Velhinhos Transviados; Ray Conniff; Renato & Seus Blue Caps; Ronnie Von; Teixeirinha; The Beatles; Zé Vasconcelos; Zimbo Trio; Zé Trindade... 

E tome música no alta-fidelidade ou na radiola portátil, que era a maior novidade na época!

(Gif: Google)

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Seleção

Totonho Laprovitera - Tríptico Brasil [1958 + 1962] + [1994 + 2002] + [1970 + 1982] - 2010 - Técnica Mista - 52 x 110 cm

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Luto: Ignêz Fiúza


Atemporal, Dona Ignêz (1924-2016) fez da vida a sua arte maior.

Saudades.

Colégio Integral

Propaganda de 1975.


"Colégio Integral - Centro de Estudos Aldeota

Localizado em pleno centro da Aldeota, em meio a um bosque, num ambiente agradável que é uma verdadeira comunidade de ensino, orientado por uma direção jovem e dinâmica que se identifica com os alunos, salas de aula moderníssimas, equipadas com ar condicionado, retro-projetores, projetor de slides, piso escalonado, exaustores, controle eletrônico de entrada e saída de alunos, obedecendo as mais modernas técnicas de engenharia iguais às utilizadas nas escolas da Suíça, Alemanha e França.

O Colégio Integral foi o primeiro estabelecimento de ensino a receber autorização somente para o 2o. grau e o único onde o 2o. grau completo pode ser cursado em apenas dois anos com um sistema de matrícula feito através de créditos a exemplo das normas adotadas pelas Universidades.

Avenida Santos Dumont, 2727 - Fortaleza - Telefone: 24-77-66"

(Foto: Acervo Totonho Laprovitera)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Deolindo Barreto


"Diga-se a verdade na terra embora desabem os céus. Conte-se o caso como o caso foi, o cão é cão e o boi é boi." (Deolindo Barreto)

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Otelino, o ambulante


Ambulante é aquele vendedor que anda pelas ruas da cidade anunciando a sua mercadoria.

Quando a Governador Sampaio era a rua chique de Fortaleza, o ambulante Otelino alimentava um certo fascínio por Maria de Jesus, uma jovem senhora que tornara-se viúva antes do tempo. 

Sendo de boa e tradicional família fortalezense, De Jesus era bem guardada que só. Portanto, tornava-se bastante difícil qualquer marmanjo furar o cerco composto pelo seu mal-encarado pai e corpulentos irmãos. Falar com ela, só de longe e olhe lá!

Daí, cheio de gracejos, Otelino pegava o seu tabuleiro de bem talhada madeira, assentava no quengo protegido por uma encardida rodilha e, espalhando simpatia, saía para o exercício da sua rotineira labuta. Descia a ladeira da Visconde de Saboya, caía pela Praça dos Leões, virava a direita mais a frente, na Governador Sampaio, e abria o seu reclame pelas portas das faustosas casas. Quando chegava na da mirada viuvinha, ele lampejava os olhos e assim propagava: - "Ovo e uva boa! É da melhor qualidade!" 

Aí, os guardiões da viúva surgiam nas janelas e Otelino, com um anêmico sorriso, levantava o pano que cobria a mercadoria no tabuleiro, continuava: - 'Vai querer, freguês?!"

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Cocorote


Cocorote é uma expressão empregada no Ceará de uma batida na cabeça dada com a mão fechada, com o joelho do dedo médio, também conhecido como dedo do meio, pai-de-todos ou dedo maior. Portanto, o cocorote não é nada mais, nada menos, do que o velho Cascudo.

Agora, Cocorote também é uma região de Fortaleza, denominada pelos norte-americanos, na Segunda Guerra Mundial, que significava para os aviadores a Rota do Cocó, ou seja, Coco Route. 

Curiosamente, a Base Americana em Fortaleza era por eles chamada de Post Command, PC, que virou Base do Pici. A 2ª Base Americana em Fortaleza (atual Aeroporto Internacional Pinto Martins) era a chamada Base do Cocorote.

(Ilustração: Google)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Iconoclastia


No início do Colégio Integral, nós, alunos pioneiros, éramos uns verdadeiros anjos no bom conceito de comportamento.

Extremamente inovador e a frente do seu tempo, o Integral foi o primeiro colégio de Fortaleza a substituir a lousa e giz por telas, retroprojetores e pincel para quadros. Salas com ar condicionado, acionamento da porta por sistema elétrico, piso escalonado, iluminação direta e indireta, sistema sonoro etecetera e tal. Na parte didática, reunia os melhores professores da cidade, fazia uso de apostilas próprias, projeção de slides, filmes e, para anunciar o resultado das provas, um enorme placar eletrônico no pátio contíguo a sua quadra. No lado disciplinar, o aluno tinha liberdade nunca dantes vista em nenhum estabelecimento escolar das bandas de cá. Respeitava-se o direito de ir e vir, era permitido fumar em sala de aula e a cantina disponibilizava merendas naturais. Isso tudo em meados dos anos 1970.

Mas, a história que vou contar é acerca de uma reunião do grêmio dos alunos do Integral. Sob a presidência do Sandoval, participavam: Lolô, Cariré, Cezinha, Cristiano, Jean, Pintinho, The Jorge, The Quinderes e eu. Quem se lembrar de mais, por favor, me diga.

Bem, aconteceu o seguinte. Pintinho decidiu consertar um chaveiro, usando como martelo a réplica da estátua do Laçador, patrimônio histórico e cultural do Rio Grande do Sul, que havia na sala da diretoria do colégio. Eu, que no momento não tinha o que fazer, amarrei um cordão na estátua e toda vez que o Pintinho ia martelar, eu puxada e ele errava a batida. Uma vez, duas, três, quatro e, na quinta, rapidamente, Pintinho abusou da sua força e eu não puxei o cordão... Aí, aconteceu a desgraça: No duro golpe, a cabeça do Laçador apartou-se do seu corpo e rolou pelo chão!

Silêncio total. O medo pairou diante do sinistro. Mas, para reparar a situação, peguei a cabeça do Laçador e a coloquei bem aninhada entre o seu braço e a cintura. Achando ter resolvido o acidente, serenamente, fui para a quadra, assistir um jogo da Copa que estávamos realizando. 

Mas, eu não contava com a entrega de algum cabueta, que foi correndo avisar ao Wellington, um dos diretores do Integral, sobre o ocorrido. Ora, não tardou eu ser abordado pela a autoridade escolar, de forma ríspida e desaforada:

- Francisco Antonio, você decepou a minha estátua do Laçador! 
- Desculpa... 
- Saiba que aquela estátua é um troféu que recebi em uma solenidade muito especial! 
- Realmente, é uma peça muito bonita... 
- Seu iconoclasta!
- Peraí...
- Peraí, o que! [trincando os dentes]
- O que significa iconoclasta?
- É aquele que pratica a iconoclastia!
- E o que é iconoclastia?
- É a ação de destruir imagens!
- Ah, sim, ainda bem... 
- Ah, sim, e ainda bem por que?! 
- Pensei que o senhor tivesse perdido a educação...

Resultado: Fui suspenso por uma semana. Agora, o Pintinho, não sei porque, escapou.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Dá um caldo


Dá um caldo é uma expressão que denota a pessoa que embora com uma idade avançada, por seus atributos ainda pode desempenhar muito bem suas prestezas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Da-rede-rasgada


Da-rede-rasgada é uma expressão popular nordestina que significa alguém que não leva nada à sério. Denota também uma moça mal comportada ou de uma pessoa leviana.

(Foto: Elusa Laprovitera)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

De corar Zé Tatá


Ouvindo agora uns hits, lembrei das velhas tertúlias, onde, o escuro da garagem era quebrado pelo lume violeta da luz negra que embranquecia os dentes, ressaltava o alvo do olho e acusava as caspas nos ombros dos dançantes!

Era tudo muito bom, mas, o que chateava era quando a turma esperava a noite inteira pela sessão de música lenta, aí, chegada a hora, aparecia um meninão grandão dos zói puxado e apartava os casais, para as meninas, à força, dançarem solto com ele alegres coreografias de corar Zé Tatá! 

Arre égua...