quinta-feira, 12 de julho de 2018

Denise Mattar


No Espaço Cultural Unifor, eu, com a querida amiga Denise Mattar, no lançamento do catálogo da exposição “Da Terra Brasilis à Aldeia Global”, onde a sua palestra foi uma preciosa aula de curadoria artística. 

#arte #art #pintura #paint #pittura #desenho #draw #dibujo #disegno #dessin #foto #photo #video #artecontemporanea #contemporyart

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Mentira


Há quem diga que as pessoas preferem acreditar em uma grande mentira do que em uma grande verdade. 

Bem, a mentira é a afirmação do contrário ao que é considerado verdadeiro. Ela se espalha sobre realidades e devaneios e, comumente, causa danos ao mentiroso e ao que se sente iludido com ela. 

Noutro dia, ouvindo dizer que "a mentira é uma grande história que alguém estragou com a verdade", lembrei do que a minha tia Lygia dizia: - “Mentira conveniente não é pecado.” 

Pois é, nos dias de hoje parece que assim como a verdade é absoluta, do mesmo jeito a mentira também é. 

(Imagem: Google)

terça-feira, 10 de julho de 2018

Que mania feia


Desconfiados de que estavam sendo xeretados por um desocupado araponga, às escondidas, dois amigos decidiram travar um diálogo telefônico citando o tal como "pessoinha mal resolvida". 

Não se sabe se a suspeita dos amigos procedia, mas, o cabra bisbilhoteiro deixou de falar com os dois e, ainda mais, passou a dar rabissaca para eles, em sinal de desprezo.

(Foto: Google)

domingo, 8 de julho de 2018

Vida

Goethe em 1828, óleo sobre tela de Stieler.

"A vida é a infância da imortalidade." (Johann Goethe, 1749-1832)

sábado, 7 de julho de 2018

Escritores e escritores


Hoje cedo, acordei matutando sobre a seguinte passagem.

Certa vez, no ponto do ônibus da Avenida Almirante Tamandaré, eu ouvi um senhor de idade avançada, que trazia à mão uma surrada edição do livro "Memórias Póstumas de Braz Cubas", de Machado de Assis, dizer: - "Existem escritores que escrevem para outros escritores e existem escritores que escrevem para leitores." 

Deles, naturalmente, eu prefiro os que escrevem para escritores e para leitores.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Rabissaca


A rabissaca é um desrespeitoso gesto de desprezo que acontece quando alguém, por algum motivo, para demonstrar desdém, tranca a cara, desvia o olhar sacodindo a cabeça para um lado – em tempo de quebrar o pescoço – vira as costa e segue em frente. 

Na maioria das vezes nervoso, é sinal de que uma pessoa mostra estar de mal com outra. Dependendo da ocasião e lugar que aconteça, pode ser acompanhada de uma típica vaia – aqui, em Fortaleza, com sonoridade alencarina – dada por populares que a testemunhem. É aquela velha história: “A canalha se diverte, mas não se distrai!” 

Comumente, a raiva de quem a pratica demora é muito a passar. Assim, não adianta nem tentar falar com quem lhe dê rabissaca. 

Em sua etimologia, rabissaca decorre da conjunção entre rabo e sacar.

(Imagem: Google)

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Pescador de sonhos


Sou pescador de sonhos 
nos mares das paixões, 
sou caçador ferido 
por pássaro perdido 
Sou viajante errante, 
sou cantador e cego, 
não vejo a luz do dia, 
nem a lua, nem estrelas 

Mas imagino a tua imagem, 
teu rosto jovem e puro, 
e do escuro tua beleza 
que me faz enxergar!

Totonho Laprovitera

terça-feira, 3 de julho de 2018

Prato feito


Típico da culinária popular brasileira, o PF (prato feito) consiste em: arroz; feijão; bife, carne moída, frango, linguiça ou peixe; salada; e batatas fritas. Às vezes, com direito a um ovo estrelado. 

Custando na faixa de 7 à 10 reais, o PF é perfeito para quem procura um prato comercial barato e bem servido. Apreciado em restaurantes de padrão mediano e baixo, afora bares e botecos, o consumo médio ideal de calorias para um PF adulto varia de 600 a 700 calorias por almoço. 

No restaurante “O Garfo”, ali na Rua Major Facundo, no Centro de Fortaleza, serve-se um concorrido PF apelidado carinhosamente de "Emília", devido à cortesia da casa de um fumegante e loiro macarrão esparramado por cima do prato, que é mesmo que tá vendo a cabeleira da tagarela boneca-gente de pano, do Sítio do Picapau Amarelo, da obra infantil de Monteiro Lobato.

domingo, 1 de julho de 2018

Plena lucidez


Ouço música... 

Quando alcanço a plena lucidez, eu atino o momento além da minha existência. Pairo na abrangência de meus limites, guardados ao espio das almas que a memória abriga os que fazem parte da minha história. Assim, o tempo se esparge em vários sentidos. 

Na viagem das horas eu clareio universos, hipnotizo meus medos e me aporto no repetido eco das imprecisas ondas. 

Às minhas oiças, uma musa fala de um lado, enquanto um coral canta de outro. Falam na minha mente o que as palavras não sabem dizer. Números contam uma sequência de sentimentos no medievo circo que desafia as impossibilidades que os postos conhecimentos impõem. 

Ah, musical madrugada, toque o piano da minha vida que eu quero, preciso, sonhar! Oh, misterioso sopro, navegue-me nas marés da imaginação dos desejos que me embalam!

E que a realidade não me acorde do sono que me faz voar no numinoso pensamento da sombras insanas! 

Pensando bem, é tão ingênuo ser feliz...

sábado, 30 de junho de 2018

Mangústia


Chama-se de angústia a aguda sensação psicológica assinalada por sufoco, insegurança, tristeza, ressentimento, dor... Na psiquiatria moderna é tida como uma doença que pode causar problemas psicossomáticos. 

Já, a mangústia é tudo isso mais o calafrio que se dá de cabo à rabo no espinhaço, o tremelique nas canelas e a vontade de chorar quando se escuta um forte bater de porta, causado por um vento violento. 

Comumente, a mangústia se dá 24 horas após um derradeiro e exagerado consumo de bebida alcoólica, acompanhada de euforia que rói a alma de qualquer cristão! 

O sofrimento causado pela mangústia é equiparado à da agonia do sentimento de um pesadelo de um santo sacerdote metralhando uma creche de indefesas órfãos.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Exame do Cabo


Há uma década, Cabo Chico foi acometido de infarto do miocárdio, sendo submetido a uma exitosa operação de ponte de safena. 

Após todo esse tempo, por sugestão médica, Cabo Chico decidiu realizar um check-up. Daí, dos diversos exames, o hemograma completo – um dos tipos mais pedidos pelos doutores – acusou-lhe “sangue no álcool”. 

E tem mais. Quando o sangue do Cabo Chico foi coletado na seringa, colocado em um tubo, depois de removido do braço o elástico, apertada uma gaze para evitar o sangramento, e posto um bandeide redondo no furo causado pela agulha, a experimentada enfermeira falou: - “Pronto, senhor, já pode ser engarrafado!”

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Ser e ter


Ser é haver a si próprio. É se expor em condição ou situação. Ter é deter a posse. É possuir e desfrutar. 

Quando me perguntam sobre o meu modo de pensar sobre o ser e o ter, eu falo: Ser para mim é essencial, pois assim me dignifico a encontrar a minha verdadeira razão de viver. O que eu sou e admito ser me permite a discernir os mais preciosos valores humanos. Ter é preciso, mas não essencial. Não é fim, é meio para eu realizar o bem para mim e para os meus. 

Daí, entre escolher um ou outro, eu digo que prefiro os dois, ou seja, “ter, sendo”! Ora, na sábia filosofia popular de que “é melhor ser rico com saúde do que pobre doente”, o ter grudado ao ser é o natural caminho para se conquistar as coisas e os momentos que nos fazem felizes. 

Aliás, ser feliz é a nossa maior razão de estarmos neste mundo em que Deus tirou do nada em gesto da mais pura humildade, ensinando-nos de maneira simples que o nada pode ser tudo!

domingo, 24 de junho de 2018

sábado, 23 de junho de 2018

Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico


Cheio de lero-lero, agamenete e todo metido a grã-fino, Edmarfy costumava zanzar pelo calçadão do Vila do Mar, na Barra do Ceará, de mãos bem dadas com a amada Leideday, uma piteuzinha com cara de criança e corpanzil de chacrete. 

Certa vez, o casal foi curtir o privilegiado pôr do sol do lugar. Aí, Leideday resolveu desfilar a sua aquilatada geografia, vestindo um acetinado collant amarelo lacerdinha, enfiado pelo cós de um miúdo short jeans, que deixava à mostra as amuras da sua abundosa padaria. 

Aí, quando o par passou por um atlético bando de mal-encarados, todos bombados, um deles soltou um arrastado assobio de soim para Leideday. Na hora, Edmarfy parou, atravancou o olhar, respirou como quem sofre de pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico e, todo arrochado, desafiou o bando: - “Pra quem foi mesmo esse coió?!” 

O mais forte deles se levantou, alongou o torado pescoço, buliu os bíceps e tríceps, inchou o peitoral tatuado com um desenho de vulcão e respondeu: - “Foi pra gatinha gostosa aí que tá com você, por que?!” 

Da cabeça aos pés, Edmarfy escaneou o brucutu e, dando uma de João-sem-braço, esquivou-se num fôlego só: - “Ah, ainda bem. Pensei que fosse pra mim...” E, todo macho, seguiu avexado com a amada ao som de uma desafinada sequência de debochados flatos bucais! 

Pra quem não sabe e quer saber, creia, de 46 letras e difícil que só de se pronunciar, o “palavrão” pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico significa pneumoconiose, ou seja, uma mazela pulmonar originada pela aspiração de cinzas vulcânicas.

(Foto: Marcos Linhares)

sexta-feira, 22 de junho de 2018

quinta-feira, 21 de junho de 2018

O pão nosso de cada dia


Surgido há 6 mil anos na região da Mesopotâmia, onde hoje é o Iraque, o pão é um alimento feito com farinha de trigo, água e sal. 

Sobre o seu consumo, a Organização Mundial da Saúde recomenda as pessoas comerem 50 quilos dele em um ano. O povo que mais consome pão é o marroquino, que em média abocanha 100 quilos por ano. O país que mais beira o ideal é o Uruguai, em média 55 quilos por pessoa em um ano. 

Cá matutando, um povo que se dá valor come pão de boa qualidade, o que reflete na cultura de uma nação que almeja se estabelecer no mundo como civilização de respeito. Quer dizer, a qualidade de vida ansiada por ele passa pelo pão que consome. À exemplo disso, desde o século XVII, a França tem se destacado no mundo da fabricação de pães, desenvolvendo apuradas técnicas de panificação. 

Aqui em Fortaleza a qualidade do pão tem sido discutida há algum tempo. Muitos perguntam sobre a causa dele se esfarelar tão rapidamente. “Seria em virtude da qualidade do trigo?” Uns dizem que sim, outros que não. “Seria pelo uso de bromato de potássio?” Uns dizem que sim, outros que não. 

Deixando de conversa, agora me deem licença, que eu vou tomar meu café com pão – com manteiga – coisa que não abro mão de fazer todas as tardes. Herança cultural da menina Fortaleza? Uns dizem que sim, outros também.