quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Nuvens



Pintar o abstrato e sair catando figuras, tal criança que acha desenhos nas nuvens... 

(Foto: © iStockphoto.com / Konradlew)

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Chico Padre


Acolhido pelos meus tios Zuleica e Dedé Brasil, na Parangaba, Chico Padre tornou-se amigo de infância de Geraldo, meu pai. Quando ficou adulto, sem estudo, simples e humilde, realizava serviços de limpeza lá por casa. De quebra, ainda era "rezador" e, para qualquer provável mal, ele pegava um galhinho de planta e em movimentos de sinal da cruz, rezava na gente. Ao que me lembre, nunca constatamos se a reza funcionava ou não, porém, jamais a dispensamos. Uma curiosidade: Chico copiava os nomes dos filhos de Geraldo para os seus, em homenagem ao amigo doutor que ele tanto gostava, admirava e respeitava.

Negro, alto, seco e de esguia postura, Chico também era um desportista. No futebol, sem ter um tostão no bolso, presidiu um time chamado “11 Vingadores” que, segundo ele, não perdia para seu ninguém nos campos de poeira dos desprovidos subúrbios de Fortaleza, nos anos 1960. 

Ainda era namorador. Dava o maior valor às “crucas”, como ele se referia às namoradas. Em certa ocasião, como de costume escondido de sua santa mulher batizada Medalha, conquistou o coração da empregada doméstica Marié, que era a cara da Zezé Macedo piorada e fazendo careta. Marié se inventava de difícil para Chico, mas não resistia aos gracejos do conquistador. Quando ele chegava perto da moça e entre finos assobios de soim, com todos os erres, gracejava “está correndo um vento pela minha retaguarda”... Aí, ela se derretia todinha e se entregava. 

Muitos anos depois, Chico trabalhou de vigia na empresa do meu irmão Gera e do Chiquinho Aragão. Como se pelava de medo de alma, ele espalhava copos d’água pelo prédio para espantar as assombrações. 

Depois disso, o Chico sumiu do mapa até que, por acaso, o avistei passando em frente ao edifício em que eu morava. Acenando, chamei e o convidei para partilharmos a refeição matinal. Tomamos café com pão com manteiga e jogamos muita conversa fora. Peguei uma camisa minha, o presenteei e quando foi embora, feliz e satisfeito, assim ele despediu-se de mim: “Esse Toinho gosta de uma esculhambação”... 

Nunca mais vi o velho Chico Padre. Provavelmente, ele nem esteja mais entre nós. Pois é, tem pessoas com quem nos reencontramos e mal sabemos que estamos é nos despedindo delas pela última vez e para sempre. 

É a vida...

Dr. Hector


15 frases do Dr. Hector, psiquiatra.


1. Fazer comparações pode prejudicar sua felicidade;
2. Muitas pessoas acham que a felicidade é ser mais rico ou mais importante; 
3. Muitas pessoas só imaginam a felicidade no futuro; 
4. Felicidade pode ser a liberdade de amar mais de uma mulher ao mesmo tempo; 
5. Às vezes a felicidade é não saber toda a história; 
6. Evitar a tristeza não é o caminho para a felicidade; 
7. Sua companhia lhe leva sempre: (A) pra cima, ou (B) pra baixo?; 
8. Felicidade é seguir sua vocação; 
9. Felicidade é se sentir amado por você mesmo; 
10. Ensopado de batata doce!; 
11. O medo impede a felicidade; 
12. Felicidade é se sentir inteiramente vivo; 
13. Felicidade é sabe como comemorar; 
14. Saber ouvir é saber amar; 
15. Nostalgia não é mais como antigamente.

(Foto: Popcorn)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Xexeiro da Mesbla


A Mesbla tinha fundos correspondentes, daí, com uma desculpa esfarrapada qualquer, o xexeiro desembarcava do taxi pela rua Senador Pompeu, atravessava a loja e escapava pela rua General Sampaio. E, se abrindo, ainda contava seu feito na Praça José de Alencar.

Em tempo: Xexeiro advém da palavra xexo, corruptela de seixo (pedrinha). Antigamente, quando se utilizavam pedras preciosas como moeda, os trapaceiros misturam seixos com as pedras preciosas para enganar os bestas. Daí, surgiu a expressão "dar o seixo", que virou "dar o xexo", que quer dizer deixar de pagar, dar o calote.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

“Combinado? Tchau"!


Recordo do alegre jovem maquiador J. Pires, que vinha de São Paulo para divulgar uns produtos de beleza da Coty, comercializados na Casa Parente (ou teria sido na Flama - "símbolo de distinção"?), em meados dos anos 1960. Eu lembro que, na TV Ceará Canal 2, ele encerrava o reclame, ao vivo, com um aberto e delicado sorriso, dando uma sensual rabissaca que fazia avoar seus cabelos e, estalando os dedos, dizia “Combinado? Tchau"!

domingo, 2 de agosto de 2015

Burra Preta


Se a bunda do folclórico Burra Preta já era graúda, ela se agigantava quando ele se empenava todo no espalhafatoso requebrar do seu sinuoso e feminino caminhar.

Abusado que só, o negro acinzentado Burra Preta fazia-se dono das ruas do Centro de Fortaleza, provocando algazarras por onde passasse. As vaias comiam de esmola e ele, nem aí, exagerava nos movimentos dos quadris arredondados de seu corpanzil, fazendo de conta que nem ligava para as gaiatices da cultura do Ceará Moleque. 

E assim era Burra Preta. O povo mangava, e ele desfilava o seu sucesso, fazendo história na cidade.

Moda praia


Inspirada no sol, no mar e nas curvas da mulher brasileira, a moda praia sempre foi conduzida no processo da ousadia de se mostrar o corpo.

Agora, segundo a Rita Cabelão, do Bairro Sinhá Sabóia, em Sobral, a Tereza Kuduro falou: “Pois é, deu na revista que a moda agora é biquíni com o elástico frouxo pra derrear no bumbum". 

Ô povo pra inventar!

(Foto: Google)

Pérolas de Asclepíades


"Eu vivia na esquina da Assunção com Antonio Pompeu, discutindo onde ia ser a janta, se na Toca do Coelho ou no Frango Dourado. Ninguém parecia ter pressa nenhuma, também, era todo mundo de beiço dormente de tanto chupar picolé de creme holandês, da Gelatti, tirando o gosto com cachaça! Aí sempre surgia a brilhante ideia: Vamos é pra Badalo, que tem mais futuro! Ora, e dava certim até por ser a boate próxima à praia do Náutico, onde tinha a barraca do Escorrega. Dali, também era um pulo pro Patinação Clube, onde a Milonga, a Cinquentinha e a Toinha, sempre animadíssimas, eram garantidas! E a janta? Ora, a janta... A gente ia era pro Sereia, do Deó, onde amanhecíamos entregues ao melhor caldo de cabeça de cangulo e arroz à grega de Fortaleza! Tempo bom, aquele..."

sábado, 1 de agosto de 2015

Lina Bo Bardi



"Eu tenho projetado algumas casas, mas só para pessoas que eu conheço. Tenho horror em projetar casas para madames, onde entra aquela conversa insípida em torno da discussão de como vai ser a piscina, as cortinas (...) Gostaria muito de fazer casas populares." 

A arquiteta modernista ítalo-brasileira Achillina Bo, a Lina Bo Bardi (1914-1992), que foi casada com o crítico de arte Pietro Maria Bardi projetou na arquitetura, as seguintes obras de destaque: Instituto Pietro Maria Bardi, São Paulo, 1951 - originalmente a residência do casal, o edifício é conhecido como a Casa de Vidro; Museu de Arte de São Paulo, São Paulo, 1958 - considerada sua obra prima; Casa da Cultura de Pernambuco, Recife, 1963 - Não acompanhou as atividades da reforma do prédio, que abrigava a antiga detenção da cidade; Igreja do Espírito Santo do Cerrado, Uberlândia- Minas Gerais, 1976; Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador; Teatro Oficina, São Paulo, 1990; SESC Pompeia - Fábrica, São Paulo, 1977; Reforma do Palácio das Indústrias, São Paulo 1992 - inconclusa; Reforma do Teatro Politeama (Jundiaí), 1986 - concluído em 1996.

Além das obras de arquitetura, Lina produziu para o teatro, cinema, artes plásticas, cenografia, desenho de mobiliário, entre outros. Também participou da curadoria de diversas exposições.

Ao brilho dos sóis


Ao brilho dos sóis
(Totonho Laprovitera)

Água e sentimento,
entre pedras e relevos
dorso de mulher apaixonada
ao brilho dos sóis

Paisagem sinuosa,
fase rosa de Picasso,
encrespando no horizonte
em ziguezagues entre nós

Magia de amor,
desenhos de criança na calçada,
paixão de coração
com gosto de quero mais

E enquanto navego,
os barcos sonham
pelo humor-vítreo
do olho de Orós

(Foto: Eliseu Batista Filho​)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Imortal Dr. Sálvio Pinto


Hoje, tenho a alegria de assistir a posse do amigo Dr. Sálvio Pinto, como componente da Academia Cearense de Medicina, ocupando a cadeira de número 40, patroneada pelo Dr. Rocha Moreira.


Amigo desde a adolescência, acompanho a brilhante trajetória profissional do Dr. Sálvio do seu início. Quando estudante da UFC, já dedicava-se à Santa Casa de Misericórdia, em Fortaleza. Formado, fez residência na USP, em São Paulo, tornando-se assistente único do Dr. Fernando Gentil. Depois, foi trabalhar em Tóquio, no Japão, e em Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde inteirou especialização e doutorado. Depois, voltou a morar em Fortaleza.


Simples que só, Sálvio sabe exercer o sacerdócio da medicina sem se arredar do tempo que lhe sobra para brindar a arte da convivência com seus tantos amigos.

Parabéns, Dr. Sálvio!

(Fotos: Totonho Laprovitera)

Apaixonado Bilinha


Com olhar apaixonado, o bom Bilinha bota é quente na loura, mas, ela não esquenta e lhe demonstra a maior frieza!

(Foto: Fernandão Frota)

quinta-feira, 30 de julho de 2015

No shopping


No shopping da Parangaba, o introvertido Valdecir Augusto chegou para uma espilicute dona e disse: 

- Ei, moça, eu não estou encontrando minha esposa. Poderia ficar conversando com você só um pedacinho? 
- Comequié? Perguntou a senhorita, com a boca lotada de chicletes. 
- É que sempre que estou conversando com uma mulher bonita, minha esposa aparece de repente!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Carioquês na Praia de Iracema


Não faz muito tempo, em um bar da Praia de Iracema, na night, um amigo questionou o outro:

- E aí, macho véi? 
- Olha só... Beleza?
- Tudo pai d'égua!
- Só, sangue bom... 
- Macho, eu te conheço desde menino... 
- Irado, ó? E daí?
- E daí é que você nunca saiu daqui, da Praia de Iracema. Nasceu aqui, morou aqui, sempre viveu aqui... 
- Coé, mermão, pirou? Tá maluco?
- Maluco, eu?
- Aê, fala sério... 
- Tô falando, mah...
- Pô, sinistro! Que parada é essa, vai marcar bobeira?!
- Arre égua, é que eu não consigo entender esse teu jeito...
- Aê, caralho, que merda, muito foda... 
- Respeite, que chiado escroto! 
- Aê, mané, tu tá boladão pra porra, mermão...
- Diabeísso, pra que esse sotaque carioca tão fuleiro?! 
- Ora, bolas, é o estilo maneiro de me expressar... 
- Aí dento! 
- Aê, dá não, ó? Vou vazar... Finalizou o inquirido, com todo o vigor do seu carioquês!

terça-feira, 28 de julho de 2015

Bar do Val


O Papelin me contou que uma bela e formosa moça, amiga do paraibano Osmilton, muito dada e batalhadora que só, ligou pra ele e perguntou:

- Pará, você conhece o Bar do Val?
- Sim, conheço. Por que?
- Lá é bom pra ganhar dinheiro?
- Bem, eu sei que lá é bom é pra gastar!

Privacidade


Essa espécie de cortina serve para resguardar a privacidade e assegurar o anonimato dos usuários de um pequeno motel do Centro da cidade.

(Foto: Totonho Laprovitera)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Aí mente!

Negrita e Chico.

Comunicado por telefone, pelo amigo Cacau, que na oficina do Negrita havia chegado um sujeito que mentia mais do que ele, Chico Macaco rogou:

- Cacau, segura o homem aí que estou chegando! 

Resumindo, Chico manteve-se na hegemonia do cinturão de ouro da categoria.

domingo, 26 de julho de 2015

Raimundo Baixinho


Conta-me Ricardo Lincoln Barreira, meu amigo Barreirinha, que Raimundo Baixinho era um faz-tudo que morava na fazenda da família dele, em Quixadá.

“100% analfabeto, por quem meu pai tinha uma carinho especial. Na construção de um banheiro na dita fazenda, ele deixou a ‘cabeça’ da manilha quase um metro acima do piso e quando papai perguntou: 

- Raimundo, a que altura ficará o sanitário?

Ele respondeu: 

- Calma, Doutor, ainda falta os dregau.”

Por uma boa causa


Ô povo pra inventar moda! Pois não é que a nova mania online é segurar uma Coca-Cola entre os peitos por uma boa causa!

(Foto: Google)

García Lorca


Federico del Sagrado Corazón de Jesús García Lorca, ou, simplesmente, Federico García Lorca (1898-1936), foi um poeta e dramaturgo espanhol, e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola, que, segundo algumas versões, teria sido fuzilado de costas, em alusão a sua homossexualidade. Lorca foi ainda um excelente pintor, compositor precoce e pianista.

Atribui-se à eliminação de García Lorca como parte de uma campanha de assassinatos em massa para excluir adeptos da Frente Popular Marxista. No entanto, argumenta-se que García Lorca era apolítico e tinha muitos amigos em ambos os campos republicanos e nacionalistas. Muitos anticomunistas eram simpáticos a Lorca ou assistiram a ele. 

(Foto: Google)