sábado, 12 de agosto de 2017

Chá de burro

Cena urbana. Foto de Zezinho Ponte.

Quando espiei a foto de autoria do Zezinho Ponte, do vendedor de chá de burro, não tive dúvida, publiquei na Internet! 

Ora, aí o jornalista Luiz José dos Santos me contou que na Fortaleza dos anos 60, o tal chá era vendido por um andarilho ambulante que carregava pelas ruas, penduradas em um bordão aos ombros, duas latas de 2 litros: numa, escrito “chá de burro doce”; noutra, “chá de burro salgado”. E era sempre à tardinha, Hora do Angelus, das cadeiras nas calçadas, que aos gritos ele anunciava: - "Olha o chá de burro!" 

Pra quem não sabe, chá de burro é, nada mais, nada menos, do que mungunzá, uma iguaria feita de grãos de milho cosidos e temperados. 

Agora, diz o bancário Lincoln Fontenele, que “o melhor chá de burro do mundo é o de Camocim, vendido no Mercado entre 6 às 10h da manhã. O outro, também muito bom, é o do Euritonio, do Mercado de Caucaia.”

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Pajaraca


Um dos radialistas mais irreverentes e populares que conheci foi Jurandir Mitoso, o popular Pajaraca.

Mitoso, que foi Rei Momo do Carnaval de Fortaleza, em 1965, iniciou a carreira na Rádio Dragão do Mar, na década de 50, como disc jockey. 

Versátil, também atuou como repórter esportivo e até teve um programa de grande sucesso na rádio Verdes Mares, nos anos 70, que abria com a seguinte vinheta musical: - “Jurandir Mitoso existe apenas um e como o JM não pode haver nenhum!” 

Dava o maior valor dizer: - “É caco de corno pra tudo quanto é lado!”

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Sobralidade


Lendo sobre o relançamento do livro “O Cearense”, de Parsifal Barroso, lembrei que a expressão “sobralidade” foi cunhada pelo ex-governador, para exprimir o sentimento de amor e compromisso à cidade de Sobral.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Desenhar errado

Tudo começou quando vi um autodenominado desenhista, sem a menor queda para o traço, querendo por querer ser artista. Aí, eu me peguei do seguinte jeito: Já pensou se eu eu ousasse ser músico, mesmo sem saber tocar direito um instrumento? Certamente, seria uma agonia sem fim, pois a cada pedido para tocar uma determinada canção eu teria que dar uma desculpa bastante convincente. 

Sobre este assunto, então, ocorreu-me a ideia de expor uma linha de desenhos corriqueiros que tenho cometido há algum tempo, intitulada “Desenhar Errado”. 

Nessa série eu busco o exercício do desenho de forma propositadamente errada – qual seria a certa? – para provocar o estranhamento e estimular o espectador a escapulir das convencionais normas do desenho. 

Questionando padrões estabelecidos, eu abandono a perspectiva, deformo figuras, descontextualizo objetos e produzo um divertido convite à crítica visual, numa atitude singular de reconsiderar tudo aquilo que é visto como correto. 

Vai ver que com esses desenhos eu vou terminar virando músico.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Corecon-CE

Francisco Ângelo De Francesco.

Meu primeiro emprego foi em 1978, no Corecon-CE – Conselho Regional de Economia do Ceará – quando era presidido pelo economista Francisco Ângelo De Francesco – uma das pessoas mais bem-educadas que já conheci – e funcionava em uma sala, nos alto de um prédio localizado na Rua Sena Madureira, no Centro de Fortaleza. 

Lá, eu trabalhava com a dona Rosilda – que gerenciava o dia-a-dia da repartição – e a jovem Giselda – que depois veio a ser referência de servidora da casa. 

Como estudava pela manhã, o meu expediente de trabalho se dava no período da tarde e era um corre-corre danado. Eu cuidava das correspondências e da emissão das carteiras profissionais, batidas à maquina de escrever. Circunspeta, dona Rosilda organizava toda a documentação do Conselho e a agenda do presidente, enquanto Giselda fazia de um tudo. 

Demonstrando grande admiração, dona Rosilda não cansava de enaltecer o antigo presidente, economista Zacarias Feitosa da Costa, sempre lamentando o seu precoce falecimento há pouco tempo. 

Giselda era calada e por demais tranquila. Desempenhava diversas tarefas, sempre acompanhadas pela dona Rosilda. Com elas eu me dava bem e até hoje lembro das duas com desvelo. 

Foi um tempo bom, onde eu aprendi muita coisa boa, principalmente com o primo Angelino, que o tinha como padrinho.

domingo, 6 de agosto de 2017

Otacílio de Azevedo


Pintor, desenhista e poeta, Otacílio de Azevedo (1892-1978) foi membro da Academia Cearense de Letras e fundador da Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia.

Nascido na zona rural de Redenção, Otacílio foi morar em Fortaleza em 1910, aos 18 anos. Autodidata, começou nas artes plásticas como pintor de tabuletas de cinemas e de letreiros de lojas. Com o passar do tempo, tornou-se um grande paisagista. 

Na loja Fotografia N. Olsen, onde trabalhou, conheceu e conviveu com artistas plásticos e escritores cearenses. Dentre eles, Ramos Cotoco, Gérson Faria, Clóvis Costa, Paula Barros, Herman Lima, Quintino Cunha. A partir de então, desenvolveu suas habilidades de pintor e poeta. 

Participou com outros artistas do Salão Regional, em Fortaleza, nos anos de 1924 e 1934. Com Gérson Faria, Pretextato Bezerra e Clóvis Costa, fundou o primeiro ateliê de pintura na cidade. Foi sócio fundador do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA) que virou a Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), onde chegou a ser vice-presidente. Participou dos I, II e III Salões Cearenses de Pintura – em Fortaleza, nos anos 1941, 1942 e 1944 – e de diversas edições do Salão de Abril. 

Além de paisagista, Otacílio de Azevedo era grande retratista, sendo de sua autoria vários retratos de governantes cearenses, hoje expostos no palácio do Governo. Escreveu o livro “Fortaleza Descalça”, no qual apresenta de modo bem humorado, traços biográficos dos artistas e escritores com quem conviveu. 

Otacílio de Azevedo é pai do astrônomo Rubens, do historiador Sânzio e do pesquisador, colecionador e jornalista Miguel Ângelo, o Nirez.

É muito artista!

Eu sei que a coisa é antiga, mas na minha santa ignorância só peguei a notar quando na época dos showmícios vi político dar autógrafos, como se artista fosse. E assim se achava.

Foi num tempo em que muitos candidatos chegaram até a ser eleitos pelas atrações que traziam aos palcos das ilusões, onde o circo já bastava ao povo tão sem pão. 

Pois é, as vaidades daqueles ditos políticos – que desvaliam a saudável e séria essência da arte política! – valeram para reforçar o equivocado paralelo que eu tanto abomino: “É muito artista!”

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Arte!

Ao dar início ao meu processo criativo, desenhar e pintar sem saber o que, me dá muito prazer. É a poesia de idear na pintura figuras que se formam nas nuvens do céu da minha imaginação e desenhá-las, na ousadia de perpetuá-las. Ao invés de buscar a criação, é brincar de achá-la. Afinal de contas, a arte não me é apenas uma atividade. Ela é um sentimento lúdico de brincar a vida à sério. 

Os meus trabalhos contam um pouco da minha realidade e muito dos meus sonhos. Neles, encontro preciosos significados existenciais. Com eles, me misturo e vivo o sentido do meu numinoso ofício de artista!

Cena urbana


(Foto: Totonho Laprovitera)

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Colar de motorista

Sabe aquela sujeira causada na pele por falta de higiene, que muitos chamam de ceroto? Pois é, e quando se dá no pescoço, ela também é chamada de “colar de motorista”.

A primeira vez que ouvi falar em “colar de motorista” foi há muito tempo. Quando menino velho, nós brincávamos e jogávamos muita bola, aí a mistura de suor com a poeira do futebol formava aquele cordão de sujeira e meu avô nos mandava tomar banho, pois estávamos com “colar de motorista”. 

Imagino que a expressão “colar de motorista” tenha sido criada a partir dos bravos pioneiros caminhoneiros que enfrentavam as estradas de terra sob o sol escaldante do interior nordestino. Daí, barro e suor se misturavam nas dobras da goela deles e formavam o desenho de adorno. 

Era desse jeito.

Cena urbana


(Foto: Totonho Laprovitera)