segunda-feira, 16 de setembro de 2019

BALTÁ

Diziam os antigos que Baltazar era tido como o cabra mais mentiroso de Fortaleza. O lugar predileto para contar suas balelas era a mercearia do “seu” Napoleão, defronte a Praça da Lagoinha, onde existia um dos mais disputados jogos de bilhar da cidade. 

De tão mentiroso, quando alguém faltava com a verdade, “seu” Napu protestava: - “Desce daí, Baltá!”

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A RESPOSTA DE LILIU

Totonho e Liliu.

Granja fica na margem esquerda do Rio Coreaú, pelas bandas do noroeste cearense, vizinha às cidades de Bela Cruz, Barroquinha, Camocim, Chaval, Marco, Martinópole, Moraújo, Senador Sá, Tianguá, Uruoca e Viçosa do Ceará. 

Pois bem, investigado sobre a sua variação patrimonial de bens, Liliu, ex-prefeito granjense, foi interrogado por uma austera autoridade do judiciário: 

- Senhor Eliezer... 
- Pois não. 
- Senhor Eliezer, o que o senhor tem em seu nome? 

Liliu pensou, pensou, ajeitou os óculos, arrumou-se na cadeira, deu uma volta no pescoço, pigarreou e, todo sério, firme respostou: - “Quatro vogais e três consoantes!”

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

ASA DELTA

Em meados dos anos 70, em Fortaleza, a moçada de férias não perdia um dia sequer de praia no “Oi da Pedra”, defronte ao clube do Náutico. Na época, as meninas pudicas trajavam maiôs, as bem-comportadas “duas peças” – vindo do “engana mamãe”, que de frente parecia maiô, mas de costas um biquíni – e as “pra frentex”, biquínis – alguns, pasmem, de croché! 

Aí, as peças foram diminuindo de tamanho, diminuindo, veio a tanga, até chegar a precursora do “fio dental”: a cavada “asa delta”! Ah, “asa delta”... Lembro demais de duas exuberantes garotas desfilando seus atributos pela praia. Com elas, arrancavam suspiros dos marmanjos e excitavam os imberbes que costumavam manufaturar seus prazeres através da imaginação. Em movimentos espontâneos, sincronizavam seus passeios sem fim, provocando olhares dos varões cobiçosos e invejosa censura do mulherio apoucado. 

Uma era loura, a outra, morena. Naquele paraíso, pra cima e pra baixo, as duas sensualizavam suas exuberâncias de maneira natural, na candura de uma Eva a desconhecer o pecar. De olhos grelados nelas, sempre aparecia um Adão para lhes oferecer a derradeira maçã daquele éden. Enroscada no tronco do mais frondoso cajueiro do lugar, tesa a serpente sugeria que o bom da vida residia na desobediência aos princípios dos seus. 

Nunca mais vi aquelas duas beldades – imagino-as hoje distintas senhoras – que encantaram uma geração inteira maravilhada com revistas masculinas de natureza sexual, de conteúdo considerado ingênuo para os dias de hoje.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

BACON

O provérbio ”se Maomé não vai a montanha, a montanha vai a Maomé” não pertence a nenhum texto sagrado islâmico. 

Ele integra uma parábola criada pelo filósofo britânico Francis Bacon, que, se fosse cearense, seguramente seria chamado de “Chico Toicim”.

domingo, 18 de agosto de 2019

BESOURO VERDE

O meu primeiro carro foi um simpático Volkswagen 1200, ano 1962. Apelidado de “Besouro Verde” pelo meu irmão Gera, o veículo era um verdadeiro herói pelas ruas e avenidas descalças ou de pedra tosca da então menina Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. 

Nele, em meados dos anos 70, eu ia ao colégio e passeava pela cidade com a maior tranquilidade do mundo. Naquela época, o único perigo que me ameaçava era o de levar uma carreira de algum Tetéu (viatura do DETRAN), em busca dos imberbes sem carteira de motorista. No entanto, creiam, eu nunca cheguei a puxar 100 Km/h nele. 

Ô fusca amigo! Bastava o cheiro de gasolina para andar e só dava prego se fosse de pneu. E, invocado que só, na escuridão, quando eu o acelerava seus faróis aumentavam a intensidade da luz. E tem mais, se ele andasse só, certamente, à noite, iria diretinho ao Patinação Clube ou à então Praia do Futuro “Familiar”. Pense em um carro farrista e presepeiro! 

Saudade do Besouro Verde...

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

O ECO

“Seu” Toinho tinha fama de só contar bons causos. Aqueles reais, acontecidos... 


Pois bem, dizia “seu” Toinho que há muito tempo chegou um americano no Bar do Xiramba, em Sobral, no Ceará. Arrogante que só e cheio de conversa, sobre tudo que se falasse, com embolado sotaque o gringo dizia que nos Estados Unidos era muito maior ou melhor. Quer dizer, nada nem inchava ao que existisse pelas bandas de lá. Em pouco tempo, não tinha mais quem aguentasse a mania de grandeza do gringo. 

Certa vez, o americano tacou a contar que nada se comparava ao colossal Grand Canyon. Que era sem igual! Que, por exemplo, se alguém gritasse “três!”, o eco repetia “três, três, três...” por não sei quantas vezes. “Seu” Chiquinho, que não engolia gabolice de seu ninguém, achando a conversa abusada, não aguentou e mandou: 

- Pois, na Serra da Meruoca, aqui perto, bem no Açude do Quebra, tem um “canhão” mixuruca, mas que é mais interessante do que esse seu... – falando pausadamente e bem alto. 
- It can not be! More interesting? As? 
- Cuma? 
- Não pode ser! Mais interessante? Como?! – exasperado, exclamou o gringo. 
- O negócio é o seguinte. Se você gritar “três mais três!”, o eco faz “meia dúúúziaaa”! – tranquilamente, concluiu “seu” Chiquinho.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Eu Somos Nós


Pinturas e desenhos de Totonho Laprovitera 

Curadoria: Elusa e Fernando Victor Laprovitera. 
Produção: Elusa Laprovitera, Ivana Bezerra e Lilia Quinderé. 
Oficina de pintura no Lar Torres de Melo: Tota Batista. 

Inauguração: Quarta-feira, 27 de Março de 2019, às 20h. 

Local: Espaço Cultural Ana Amélia, Hotel Sonata de Iracema – Avenida Beira Mar, 848 – Praia de Iracema, Fortaleza-CE, CEP 60165-120 – Tel. (85) 4006-1600 


EU SOMOS NÓS 

Mostrar-me em desenhos e pinturas é preciso na arte de ser. É viver todos os significados da existência dos meus sentimentos, através de expressões que materializam ideias. 

Assim como viver, desenhar é correr o risco. Pintar é colorir um mundo em todas as estações, a partir de luas e sóis ainda em preto e branco. Desenhando, pintando e escrevendo, minha sina tem sido uma viagem de contar histórias. 

Nesta mostra, onde exponho recortes de meu itinerário artístico, honra-me a companhia de talentosos colegas artistas do Lar Torres de Melo, com os quais aprendo sobre a nossa maior arte: a de viver! 

Aqui, pois, convido todos à seguinte reflexão: Deus é Pai, a Arte Mãe, e assim somos irmãos para a prática do bem. 

Arte em minhas teias... 
Arde em minhas veias... 

Totonho Laprovitera 


Comentários sobre o artista: 

“Os desenhos de Totonho Laprovitera representam um grito em favor da humanização da cidade – já que as cidades, como as pessoas, tem um corpo cuja beleza depende exclusivamente dos cuidados e do carinho dos que a administram e dos que a habitam.” Fran Martins, escritor. 

“Os desenhos do Totonho são traços limpos. Estão ligados à palavra, à poesia, ao pensamento poético que existe em todo artista romântico. O coração das formas bate seu surdo rio na sensível corredeira de Totonho. O homem que vestiu meus versos no livro Carne de Pescoço. Obrigado, companheiro, o umbigo ficará.”  Ramalho, cantor e compositor. 

"Totonho Laprovitera é o que se pode chamar de um artista múltiplo. Com sua profissão de origem, a arquitetura, sempre procurou fugir do lugar comum dando um toque especial a seus projetos. Com três livros escritos na tradição do humor cearense encontrou eco entre seus pares onde é presença constante de alto astral e caráter. Parceiro de alguns dos grandes músicos cearenses tem marcado presença na arte de compor. Como artista plástico tem se qualificado em dar cores e vida a seus temas preferidos, principalmente ao que se refere ao universo nordestino..." Raimundo Fagner, cantor e compositor. 

"... Totonho Laprovitera, pintor que revela seu universo através de intensa luminosidade, cores distribuídas com raro equilíbrio - definindo os espaços e estabelecendo sua distribuição nas superfícies do quadro - possuidor de um traço dramaticamente dinâmico, suporte preciso à audácia da criação que - mesmo em sua universalidade - mantém-se aderente a uma nordestinidade que não se revela apenas em alguns temas descritivos, mas estabelece uma realidade plástica e poética, feita de infinitas sugestões, a partir da exuberância cromática à terna ironia dos títulos das obras, passando pelo equilíbrio dos volumes.” Franco Jasinello, crítico de arte italiano.

domingo, 21 de outubro de 2018

Parece que foi ontem


A Escola de Música do Ancuri era um conservatório de música localizado na divisa das cidades de Fortaleza e Itaitinga.

(Foto: Totonho Laprovitera)

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Candidato em Parangaba


Sucedeu no ano de 1954, quando das eleições estaduais no Ceará. 

Candidato à deputância estadual, professor Iran decidiu fazer um comício na Praça dos Caboclos, próxima a Igreja do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, mais conhecida como Matriz da Parangaba. Bastante cotado, então, o seu partido político – não sei se União Democrática Nacional (UDN) ou Partido Social Democrático (PSD) – achou por bem convidar para o evento um de seus mais ilustres líderes nacionais, que estava em rápida passagem por Fortaleza. 

Com a praça coalhada de gente, naquela festiva noite tudo estava nos conformes, até o entusiasmado locutor se esquecer do nome da autoridade visitante e, com a voz exageradamente impostada, anunciar: - “Senhoras e senhores, neste exato momento temos a honra e regozijo de anunciar que está ascendendo a este nobre palanque o professor Iran com... com... com o membro de fora!” 

Entre uma penca de gaitadas e assovios, a alencarina vaia comeu foi de esmola e o professor Iran, todo desconcertado, ainda conferindo a sua braguilha, acenou ao público e começou o seu vibrante discurso, sem justificar o mal-entendido. 

Em tempo: Parangaba já foi a vila Arronches, depois município do Ceará – com o nome de Porangaba – e distrito de Fortaleza. Hoje é bairro.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Tatuagem


 

A colega arquiteta Aline perguntou se eu lembrava de um desenho meu de um peixe, que o Cordeiro, pai dela, possui. Respondi que não. Aí, ela mostrou a foto e disse: - “Meu marido mandou tatuar na perna.”

(Foto: Aline Cordeiro)

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Point Lauro Maia 35 anos


Nem precisei ver as fotos, para constatar o sucesso dos 35 anos do liverpudlian Point Lauro Maia. Assim, entristeceu-me perder a festa, em decorrência de um procedimento dentário que fui submetido. 

Frequento a esquina do Vaval desde 1996 – quer dizer, há 22 anos – quando fui levado à convite de Raimundo Fagner, que resgatava o principiar de sua história de vida, por lembrança do amigo Charutinho. De pronto, identifiquei-me com o lugar, onde, desde então, tenho praticado a arte das boas amizades. De lá pra cá, quantas noitadas, quantos carnavais, quantas tardes e madrugadas, quantas histórias, quantas conversas, agamenetes e leruaites, quantas práticas do bem aconteceram e acontecem no Point... 

Vaval, a nossa confraria é de irmandade e nos faz iguais, mesmo sabendo que levamos distintos modos de vida. É o princípio do bem viver que aprendemos com os ainda meninos da Raça Ruim da Lauro Maia. 

Pois é, velho e idolatrado amigo do peito, quando quero me amostrar eu digo que sou da Turma do Vaval e até exagero, ao contar da minha grande assiduidade, que não é do tamanho da vontade de lá estar. 

Turma, vida longa e próspera ao Point Lauro Maia! 

Totonho Laprovitera, primavera de 2018.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Sandália japonesa


O primeiro par de Havaianas surgiu em 1962, inspirado na Zori, sandália de dedo japonesa tradicional, com solas de palha de arroz. 

Patenteada em 1964 – "um novo tipo de sola de borracha com tira" – o modelos das Havaianas é uma criação legitimamente brasileira que ganhou o mundo e até hoje faz o maior sucesso em tudo quanto é canto. 

Em meados dos anos 70, eu possuí uma customizada: preta, com a tira enfiada na sola virada.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

domingo, 14 de outubro de 2018

Política e memória

Xilogravura de Percy Deane, em edição de "Memórias do Cárcere", de Graciliano Ramos.

"Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta." (John Galbraith)

sábado, 13 de outubro de 2018

Linhas

Totonho Laprovitera - Linhas (triptico) – 2105 – AST – 40 x 30 cm (cada).

A cada linha, arrisco o desenho no verso de Cecília Meireles: “Quanto mais me despedaço, mais fico inteira e serena.”

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Momento filosófico


“Quanto desperdício de tempo, o de alguém fazer alguma coisa só para passar as horas.” (Totonho Laprovitera)

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Parece que foi ontem

“Perfeitamente apropriado é o caminho da cidade a que falem e ouçam os que nele transitam.” (Platão, em "O Banquete")




Registro da abertura da então famosa vaquejada de Orós, no início dos anos 90. 

(FotoL Acervo Raimundo Fagner)

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Parece que foi ontem



Nos anos 70, o audaz piloto Luiz Pontes, com o vitorioso e robusto Maverick - Divisão 1 - da equipe do Grupo Terra.


(Foto: Acervo Luiz Pontes)