quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Tortora


Tortora
(Totonho Laprovitera)

De Tortora 
avisto o Tirreno 
e na calada do tempo 
me acho em um mar 
de tantas memórias 

Ah, antiga cidade, 
em ti serenam 
as pequenas aldeias, 
nas tuas poéticas 
sinuosas montanhas 

Tortora, Tortorella! 
Mátria formosa! 
Nas veias da Calábria, 
dimana o sangue 
que italiano me faz! 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Cangaço: Lampião

Totonho Laprovitera - Lampião - 2007 - AST - 100 x 100 cm.

Tortora

Vista do Centro Histórico de Tortora.

Tortora é a primeira cidade da Calábria Noroeste com vista para o Mar Tirreno, na fronteira com a Basilicata, uma região de grande importância turística na Itália. 

Seu montanhoso território abrange grande parte do Parque Nacional de Pollino, limitando-se ao norte pelas cidades de Maratea e Trecchina, ao nordeste com Lauria, a leste com Laino Borgo, ao sul por Aieta e Praia a Mare e a oeste com o Mar Tirreno. 

Tortora está dividida em três territórios: a cidade velha, com uns 550 habitantes; as aldeias de montanha, também com uns 550 habitantes; e a marina, com cerca de 4.900 habitantes.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Ata


De nome científico Annona squamosa e pertencente à família das Anonáceas, a mesma da graviola, a ata é uma fruta tropical, tipo baga, meio esférica e recoberta de nacos verdes, pesando em média uns 200 a 400 gramas. 

Consumida ao natural ou em forma de sucos, doces ou sorvetes, remosa que só, a ata também é chamada de fruta-pinha, pinha ou fruta-do-conde. 

Pois bem, conta o Heitor que o Bode estava passeando de carro com a família pelas bandas do Iguatemi, quando, em um sinal fechado, um ambulante se achegou com um cesto cheio de umas apetitosas atas maduras e pediu: “Ô, freguês, leva aí que eu não comi nada hoje...” 

Aí, um dos filhos do Bode observou: “Pai, por que ele não come a ata?” 

(Foto: Google)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Surrealismo, cão e monstro


De quando em vez eu me pego matutando sobre a razão de, na Fortaleza dos anos 1970, tantos artistas terem feito desenhos surrealistas em bico de pena, que, por sinal, eram de elevada qualidade artística. 

É certo que, para dar vazão aos sonhos e informações do inconsciente, no surrealismo o artista apaga a ideia da lógica instituída pelos padrões comportamentais e morais impostos pela sociedade e acende a sua infinda criação. Talvez, seja esse um dos caminhos para a resposta dessa minha inquietação. 

Aí, eu lembro que no inconsciente do meu processo criativo, entre sonhos, fantasias e emoções avessos à lógica, muito me influenciaram na expressão da minha produção surrealista as histórias do Cão da Itaoca e do Monstro da Lagoa Verde. 

Quando íamos passar o final de semana em nosso sítio Guajiru, na Parangaba da década de 60, seguíamos pela estrada do Gado, que cruzava a antiga Itaoca, e assim eu conheci o lugar. 

A Itaoca ficou famosa pelas assombrações do coisa-ruim tocando o terror em uma misteriosa casa, onde tirava os móveis do lugar, virava cadeira de cabeça pra baixo e fazia prato e talher voarem! Nada ficava quieto no lugar. Para despachar o tal capeta, levaram à casa um macumbeiro do Maranhão e até um padre pra exorcizá-la, mas, de nada adiantou. O arcano continuou até o tempo lhe aplacar. 

Não se sabe se a história do Cão da Itaoca foi ou não invenção de alguém, mas, o certo é que a lenda ainda persiste no imaginário do povo de lá. 

Posteriormente, lendo o jornal, no tempo em que as edições diárias só saíam às ruas no período da tarde, eu fiquei fascinado quando vi estampado em manchete de primeira página a crida aparição do Monstro da Lagoa Verde. No corpo da matéria, até retrato-falado da aberração tinha. Os que descreviam o monstro, afirmavam com todas as letras que, em tamanho e ferocidade, o bicho dava de cascudo e chulipa no escocês monstro do Lago Ness. 

Mas, como nem tudo para sempre é, o monstro viveu a sua fama até ser abatido por um grupo de desocupados da região, que pastorava todo o dia a Lagoa Verde. Atendendo ao chamado de resgate, os gloriosos bombeiros constataram que o “fabuloso” monstro não passava de um mixuruca jacaré, medindo pouco menos de meio metro. 

E assim, rimando, eu tomei gosto pelas coisas surreais em meus incontáveis desenhos iniciais.

domingo, 21 de agosto de 2016

Coração valente


Mais brabo do que um siri dentro duma lata, Toinho era um dos meninos mais invocados no colégio. Ele não possuía compleição física graúda, muito pelo contrário, na média da turma era um dos miúdos. No entanto, seu forte gênio fazia com que ele se agigantasse até mesmo diante dos galalaus. 

Destemido que só, não abria nem pro trem! Além de enfrentar todos os seus antagonistas, o pequeno e valente Toinho ainda protegia alguns amigos. Um deles, o infante Chiquinho, que só queria ser o Guto, filho do Moacyr Franco, que fazia o maior sucesso na televisão com o quadro “Canta, mas não mente”. 

Falando em Chiquinho, uma vez, ao final da aula, ele arengou com um colega gordo que suava tanto, chega ensopava a camisa e, de quebra, guardava ceroto até nas dobras do cangote. A arenga incidiu no ato de Chiquinho rebolar um punhado de areia fina nos peitos suados da obesa criança, que partiu pra cima do arengueiro e só não o atropelou porque Toinho interveio, permitindo a fuga do amigo que, metendo o pé na carreira, capou o gato pra casa!

Outra vez, na hora do recreio, Chiquinho inventou de intimar com um colega grandalhão e foi um deus-nos-acuda. Depois do ritual de encaramento seguido de sopapos de ombros, traçaram com o pé um imaginário risco no chão, em que alguém deu duas cuspidas, uma de cada lado, para depois dizer: “Taqui a mãe de um, taqui a mãe do outro!” Ora, ligeiro, Chiquinho pisou na “mãe” do seu desafeto, os dois se empurraram e o pau troou. Enquanto, aos gritos, a plateia incentivava o arranca-rabo, algum canalha fez chover areia sobre os engalfinhados brigantes. Na sequência, rolando na briga de agarrado, o grandalhão conseguiu ficar por cima do Chiquinho. Aí, aproveitando-se do apaziguamento da turma do deixa-disso, Toinho conseguiu inverter as posições dos lutadores e Chiquinho, prevalecendo-se da privilegiada situação, abancou-se na barriga do opositor, ameaçou esmurrá-lo, mas, preferiu se amostrar, dizendo: “Ganhei a briga, agora, peça penico!” A galera foi ao delírio, o pequeno Chico foi aclamado vencedor, e a vaia comeu de esmola! 

O bom, é que depois das brigas, o máximo que acontecia entre as partes, era um menino ficar de mal do outro, coisa que não durava muito, não. 

(Foto: Google)

sábado, 20 de agosto de 2016

Celeste


CELESTE
(Totonho Laprovitera)

Em riba do horizonte eu risco
o refúgio de luas e sóis 
Na vista do tempo me arrisco 
nos signos dos meus arrebóis 

De dia,
a linha do meu olhar afia 
Avia 
na sangria da minha poesia 

De noite, 
Três Marias faíscam em açoite 
Pernoite, 
não me cansa qualquer tresnoite 

Celeste, 
de azul pinto o céu do meu agreste 
Do leste, viajo, 
galopo no voo da brisa nordeste 

(Fotos: Totonho Laprovitera / Google)

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Merendeira


Lembro que quando fazia o jardim de infância e alfabetização, eu tinha uma merendeira de plástico, azul e branco, para levar o que comer e beber na hora do recreio do colégio.

Ela era tipo uma maleta. Feita em peças nervuradas de matéria plástica semirrígida, trazia tampa em aba flexível com abertura vazada em círculo, para passar a garrafa com tampa que servia de copo. Para abri-la ou fechá-la, bastava girar um botão. Para carregá-la ao ombro, ela possuía uma alça que sempre afolozava a sua casa de pegar o botão da merendeira. 

Lembro que na minha merendeira, preparado pela minha mãe, eu levava sanduíche de pão sovado com carne de lata, e na garrafa, o transposto refrigerante que podia ser Coca-Cola ou Guaraná Champagne. 

Porém, com o tempo, o precário material da garrafa fadigou e o refrigerante – já sem gás, com o gosto diferente – vazava e encharcava o pão, desmanchando o sanduíche. Como eu era menino danado e reivindicador, os adultos demoravam a escutar os meus reclamos e quase que eu passei foi a gostar de merendar “sanduiche ao refrigerante desgaseificado”.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Palmatória


Lembro que, quando criança e eu cursava o primário, os adultos me perguntavam se em meu colégio ainda fazia-se uso da palmatória. 

Feita de madeira e parecida com uma colher de pau, de cabo reto e parte arredonda, a palmatória era um artefato utilizada antigamente nas escolas para o professor punir alunos traquinos. 

Sobre ela, contavam-me os mais velhos a mesma lendária história: “Escondido, a gente pegava a palmatória e com um prego furava a madeira dela, botava o não sei o que dentro do buraco para dar bicho e a danosa apodrecer. Desse jeito, ela se partia na hora do corretivo e a negrada se livrava das palmadas.” 

Agora, sobre a questão no início dessa história, no meu tempo de pivete, assim como o castigo de se ajoelhar sobre caroços de milho, a palmatória também já estava era em desuso.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Sarado na praia


Eu estava passando uns dias no Rio de janeiro, quando meu amigo Adolfinho me convidou para ir à praia. Como de costume, relutei um pouco, mas, ele acabou me convencendo quando falou que eu devia conhecer a Barraca do Pepê, na Barra da Tijuca, lugar frequentado pelos adeptos do conceito de alimentação natural, que reunia muita gente bonita da geração saúde da cidade etc. 

Vesti meu calção de banho, de pano estampado com motivos tropicais, minha descolada camisa de meia, gola olímpica, e enfiei meus pés no velho par de chinelas japonesas. Para esconder os olhos de ressaca, assentei meus óculos escuros e nos mandamos para a tal praia. 

Ao chegarmos, enquanto eu acompanhava os passos de Adolfinho, uma belíssima, saradíssima e dourada garota aproximou-se de mim e, com um jeito bastante reservado, quase cochichando, me perguntou se eu aceitava o cartão dela. Sem nem pestanejar, vaidoso até o talo, eu disse que sim. Aí, ela pegou o cartão, pôs no cós do meu calção, sorriu e seguiu em frente, “num doce balanço, a caminho do mar”. Espiando, atento e surpreso com a cena, Adolfinho comentou: “Pô, Totonho, tá podendo, hein?”

Discretamente, li o cartão e comentei baixinho: Ah, égua... 

- Que foi, Totonho? 
- Pense numa fuleragem... 
- Fala. 
- O cartão... 
- Que diz o cartão?
- “Saiba como perder gorduras localizadas."

terça-feira, 16 de agosto de 2016

José Teles por Carlos Augusto Viana


Eu lá perco um lançamento desse! 
Agende-se. 
A Tessitura Poética de José Teles, no Ideal Clube, quinta-feira, 15/09/2016, a partir das 19h.

(Fotos: Totonho Laprovitera)

Fogo


"A distância é como os ventos: apaga as velas e acende as grandes fogueiras." (Machado de Assis)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Neno Cavalcante


Conheci o Neno, bem-dizer, na infância, quando nos reuníamos com a turma do Círculo Militar de Fortaleza. Adolescentes, fomos assíduos da praia do Náutico - no Oi da Pedra -, onde passávamos o tempo todo à sombra das árvores conversando sobre os mais diversos assuntos, com o bom humor que nos aproximava. 

Adultos, virou jornalista e eu arquiteto e artista plástico, com direito de ser por ele apresentado em uma das minhas exposições. 

Ultimamente, quando nos encontrávamos, a gente se festejava diante do tempo de existência compartilhado, das histórias engraçadas vividas e das aguçadas críticas inteligentes cometidas. 

Para mim, Neno não morreu, como curtidor que é, viajou para outras dimensões! 

(Foto: Google)

Hypnos

Totonho Laprovitera – Hypnos – 2016 – Nanquim sobre papel – 29,7 x 42 cm.

Pai de Morfeu, Hypnos, na mitologia grega, era o deus do sono. Seu equivalente romano é Somno.

domingo, 14 de agosto de 2016

sábado, 13 de agosto de 2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Da série Peixes

Totonho Laprovitera - O voo das Tilápias / Mutações genéticas - 2016 - Infogravura - 29,7 x 42 cm.