sábado, 6 de fevereiro de 2016

Otelino, o ambulante


Ambulante é aquele vendedor que anda pelas ruas da cidade anunciando a sua mercadoria.

Quando a Governador Sampaio era a rua chique de Fortaleza, o ambulante Otelino alimentava um certo fascínio por Maria de Jesus, uma jovem senhora que tornara-se viúva antes do tempo. 

Sendo de boa e tradicional família fortalezense, De Jesus era bem guardada que só. Portanto, tornava-se bastante difícil qualquer marmanjo furar o cerco composto pelo seu mal-encarado pai e corpulentos irmãos. Falar com ela, só de longe e olhe lá!

Daí, cheio de gracejos, Otelino pegava o seu tabuleiro de bem talhada madeira, assentava no quengo protegido por uma encardida rodilha e, espalhando simpatia, saía para o exercício da sua rotineira labuta. Descia a ladeira da Visconde de Saboya, caía pela Praça dos Leões, virava a direita mais a frente, na Governador Sampaio, e abria o seu reclame pelas portas das faustosas casas. Quando chegava na da mirada viuvinha, ele lampejava os olhos e assim propagava:

- Ovo e uva boa! É da melhor qualidade! 

Aí, os guardiões da viúva surgiam nas janelas e Otelino, com um anêmico sorriso, levantava o pano que cobria a mercadoria no tabuleiro, continuava:

- Vai querer, freguês?!

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