sexta-feira, 10 de julho de 2015

Causos e estórias que ainda não foram contadas e nem cantadas

Recebi do Alex Figueiredo, irmão escolhido, e repasso.


“Meu estimado irmão fora-dos-casamentos Totonho,

Nos termos da sua devida e facultada anuência permitida, como correspondente fora-de-ordem (extraordinário) do mais badalado blog do Ceará (quiçá do Nordeste) passo a relatar alguns causos que nunca dantes foram relatados.

O primeiro é o que segue em seguida e a seguir, imediatamente junto, em anexo fora de arquivo dependurado all together.

Foi assim.

Na campanha da Graça e da Francisca de 1982, o onze-meia-noite - 1168 na cédula eleitoral -, Chico Figueiredo - prometo que no próximo, explicarei por causa de que ele ficou conhecido em Groaíras como 11-meia-noite - mandou que eu armasse e arrumasse palanque na Praça da Matriz de Taperuaba. Gambiarra de luz prum lado e pro outro, bocas de som (tipo corneta, incrementadas por amplificador a válvula Delta, com ventilador aprumado pras brechas de ventilação) pros quatro lados prá cá e praculá e principalmente para as casas dos adversários, cartazes nos varais estirados de poste a poste atravessando em cruz a praça e uma ruma de bebin no pé do "palanque" espontaneamente animando os desanimados que saiam da missa e os que ainda tavam em casa vendo a novela das seis e coçando os pussuídos nas entrepernas.

Domingo, depois da missa, claro, com a devida autorização do pároco, a charanga deu continuidade a seus trabalhos em cima de um caminhão com as grades arreadas. Na verdade, juro, a charanga já tinha passado quase o dia todo em cima dum jipe 54 cara-baixa anunciando o comício com forró ao vivo (e ao morto também), cachaça, celva quente e ispetin frio de acém.

Calcule se fosse aduzentos. Não podia ser diferente.

Ao som de paródias de forrós do billboard com letra do famoso Pedro Lavandeira, as otoridades se atreparam e o "speaker" Dodois (talvez depois) deu cumprimento e após comprido palavreado tentando converter os infiéis que era mais uma vez candidato a vereador e que, dessa vez (talvez depois) ia eleito com todo o apoio do povo das redondezas e profundezas de Sobral, do começo ao Bonfim até a Pedra do Lobo, ponto mais alto do maciço da Meruoca, passando pelo Jordão, Pedra de Fogo e Baracho. Macho.

Na sequência, logo em seguida, sem qualquer script, chamou ao microfone (que nada tinha de micro) o saudoso Carlos Alberto Arruda, nosso querido Carrin Cabeceiro, que já tinha passado a tarde vertendo na casa de um correligionário, Meton, grande e saudoso amigo do Chico Figueiredo e meu também, um lutador por Taperuaba.

Aí, ao macrofone, Carrin fez um brevíssimo histórico da política de Sobral e da Taperuaba, desde quando os tupininquins e os tupinambás entenderam que era melhor se ajuntar para enfrentar os lusitanos, francos e o resto, quando já era tarde, na verdade, tarde demais.

Depois de quase uma hora de falação (favor não confundir com felação), o 11-meia-noite cutucou "Dodois talvez depois" antes que a assistência debandasse. Dodois, então, perifalou pelo canto da boca que já tinha feito isso umas três vezes.

Aí, Chico Figueiredo, ao lado de Carrin, embeiçou e "sussurou":

- Tá na hora de arrematar!".

Carrin fez mais um arrodeio de palavração e arrematou:

- Meus amigos de Taperuaba, vou fechar esse meu curto discurso dizendo a todos que é melhor ir pra frente do que a ré matar.

Pense na salva de palmas!”

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