terça-feira, 4 de novembro de 2014

Lady Juli


Aurélia, Maria Paraíba e Bacorinha compunham o trio de domésticas que fazia o maior sucesso na rua José Lourenço, da púbere Fortaleza dos anos 1970. 

Delas, disparadamente, a mais bonita e bem feita de corpo era Aurélia que, quando à noite virava a estonteante Lady Juli, convidada por impetuosos rapazes da alta sociedade, teria até frequentado festas dos mais elegantes clubes da cidade, como Náutico e Ideal. Menos afoitas, Maria Paraíba e Bacorinha não se arriscavam em arredar o pé dos domínios de suas cercanias. 

Pois bem, a exultante Lady Juli logo tornou-se a musa do pedaço. Faceira toda, despertava olhares e arrebatava fiu-fius dos inúmeros dom juans. Era de fechar o comércio! Chegou até a ganhar um rádio transistorizado ABC – A Voz de Ouro, Canarinho, presente de um jovem admirador pernambucano para selar o início de um breve namoro que terminou quando Lady Juli exigiu, a título de luvas, uma radiola portátil e um gravador K7, da marca Philips, em sinal de renovação do chamego. 

A notícia se espalhou foi ligeiro, mas, a autêntica Aurélia não deu a menor trela para o maldoso falatório das invejosas de plantão que, segundo as manicures, passavam o dia todinho especulando sobre a delicada reputação de Lady Juli. 

De lá pra cá, decorrido bem uns quarenta anos, assim como Maria Paraíba e Bacorinha, nunca ninguém mais soube do paradeiro de Aurélia.

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