sexta-feira, 10 de junho de 2016

Libaneses no Ceará


Seu Fares foi visitar o irmão João Félix que morava em Feiticeiro, distrito de Jaguaribe, cidade vizinha à Orós, no interior do Ceará.

Seu João – que nunca aprendeu o português e esqueceu o árabe – apesar de viver numa rede, ter a vida melhor do mundo e um monte de filhos, não era de querer papo com seu ninguém. 

O motivo da visita do Seu Fares era porque Seu João estava para morrer. Acompanhado do filho Fagner, chegou lá bem na hora do almoço e, somente no final da tarde, foi que os irmãos começaram a conversar: 

- Oi, Zé (Fares), os meninos tão querendo que eu vá morrer lá em Fortaleza. O que você acha?
- Home, morra aqui mesmo. Aqui é mais barato, tu não vai incomodar teus filhos, tu passou a vida aqui e não vai nem se sentir bem morrendo lá. 

Fagner, às cinco da tarde, naquele sol do sertão, deitado numa rede armada no alpendre, escutando a conversa, disparou: - "O que tô fazendo aqui?!"

De família cristã, José Fares Haddad Lupus nasceu no Líbano. Quando preparava-se para imigrar para o Brasil, testemunhou o pai ser assassinado na guerra fratricida do país. 

Atormentado por frequentes pesadelos, ia às lágrimas quando assistia ao noticiário sobre o Líbano na TV. Mesmo assim, jamais quis visitar a terra de seus ascendentes.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Vendedor de leite



Dei o maior valor quando o amigo Tomás Figueiredo postou essa incomum cena urbana, registrando o vendedor de leite em seu ofício à domicílio - comum na época da minha infância -, tão difícil da gente encontrar nos dias de hoje. 

À cavalo, lembro, tinha também o vendedor de carne, que gritava e batia na caixa que carregava a mercadoria, anunciando a sua chegada. Agora, já o vendedor de verdura fazia-se acompanhar de jumento que, vez por outra, teimava de empancar e não tinha cristão do mundo que o fizesse sair do lugar!

(Foto do acervo de Tomás Figueiredo)

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Monumento à Natureza


Recentemente, vivi um momento precioso do meu itinerário de existência.

Na inauguração da Praça Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (antiga Das Flores), uma das principais de Fortaleza, senti a importância de ser autor da escultura “Monumento à Natureza” – erigida em 1984 – diante da qual, tomara, um dia meus netos dirão: "Meu avô que fez!"

Ô saudade do futuro!

terça-feira, 7 de junho de 2016

Mal falada


Apesar dos nomes e serem bastante parecidas, Janiery e Janiely não são gêmeas. Vizinhas de rua, no Bairro Mata Galinha, hoje Boa Vista, em Fortaleza, as duas são colegas desde o jardim de infância, na escolinha Erandy Pereira Montenegro, nominada em homenagem ao autor do primeiro gol do estádio Castelão. 

Cúmplices, as duas garotas são carne e unha, vivem de cocó emendado e, confidentes, adotam o aconselhamento mútuo. Pois bem, recentemente, as duas se encontraram no Chabas Bar e Restaurante, na Avenida Alberto Craveiro.

- Janiery...
- Diz, Janiely...
- Mulher, as pessoas me julgam sem me conhecerem! Mas, eu não tô nem aí com a opinião dos outros, porque as pessoas são muito maldosas...
- E o que elas andam dizendo?
- Que eu não sou pra namorar, que eu sou mulher de uma noite só...
- Menina, isso é coisa de quem mora em lugar atrasado, onde o povo é maldoso e dá conta de tudo... 
- Até no Feice?
- Mah... Principalmente, lá...
- Ô, eu nunca fiz mal a seu ninguém...
- Eu sei disso.
- Você acha que se eu der um bom tempo longe de macho e não botar mais boneco nas balada, parar de biritar, dá pra negada esquecer essa minha fase? 
- Eu acho, mas, aos poucos... 
- Pois é, quero encontrar um homem que me queira pra namorar sério. 
- Eu conheço um que posso até lhe apresentar.
- Jura?
- Juro, agora, ele só quer donzela.
- Donzela?
- Sim, porque a religião dele só admite o rapaz casar com mulher virgem.
- Mas, quer dizer que no namoro não pode rolar nada, não?
- Pode, sim, gata. Olha, pra você casar com ele virgem, de branco, é só usar o lado B para preservar o lado tombado pelo matrimônio histórico cultural.
- Êita!
- E pra esse babado a saída, quer dizer, entrada, é pela porta dos fundos.
- Sei...
- Agora, ele não pode nem de longe desconfiar que o seu fiofó é de segunda mão.
- É? Vixe...
- Só tem uma coisa: e se algum falador dedurar?
- Ah, quanto a isso, aí, não tem problema, não. 
- Não? 
- Nã, a maioria dos meus ficantes, hoje em dia, nem me reconhecem... Só me viam de costa mesmo... 
- Mas, tenha cuidado, pois ele pode pedir pra você fazer o teste da goma, que mapeia a topografia da rosca e pode sujar a biografia do dito-cujo.
- Mulher, eu só errei poucas vezes mesmo... 
- Mesmo?
- Só tem uma coisa.
- O que?
- Tomara que ele não seja muito exigente.
- Por que?
- Olha, sinceramente, sou uma moça linda, muito legal, muito simpática, mas... 
- Mas... 
- Tô com o nome meio sujo na city... 
- É, por essas bandas, tem é Zé pra moça mal falada tirar a fama de rodada...

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Parabéns, Erick!


Erick Vasconcelos mede 1,66m de altura e chegou a pesar 125Kg. Em 2001, decidiu mudar os hábitos de vida e perdeu 50Kg, sem precisar de cirurgia. A partir de 2005, começou a colecionar no currículo provas de Ironman, com 3,8Km de natação, 180Km de ciclismo e 42Km de corrida. Em nove participações, seu menor tempo foi 10h42min.

Hoje, Erick é considerado um embaixador da vida saudável em Fortaleza, onde vai conduzir a #TochaOlímpica

Prezado Professor


Após o término da Segunda Guerra Mundial, esta carta foi encontrada num campo de concentração nazista, contendo a seguinte mensagem dirigida aos professores:


“Prezado Professor,

Sou sobrevivente de um campo de concentração. Meus olhos viram o que nenhum homem deveria ver. Câmaras de gás construídas por engenheiros formados. Crianças envenenadas por médicos diplomados. Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas. Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades. Assim, tenho minhas suspeitas sobre a Educação.

Meu pedido é: Ajude seus alunos a tornarem-se humanos. Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados ou psicopatas hábeis. Ler, escrever e saber aritmética, só serão importantes se fizerem nossas crianças mais humanas.”


(Foto: Google)

domingo, 5 de junho de 2016

Cena de novela


Cena de novela
(Amaro Penna / Totonho Laprovitera)

Nos tempos de criança era eu, era você
Ainda na lembrança brinco eu, brinca você
Os jogos de infância nas calçadas da memória,
os sonhos de nós dois em namoro virginal...

Em cena de novela descobrimos o amor
Nosso primeiro beijo não consigo esquecer
Passo horas a pensar da gente o que seria
se nossas juras madrigais hoje vingadas fossem

Agora, em poesia, eu me lembro do mistério
da nossa despedida que nunca aconteceu
Você olhou pra mim, fingiu que não me viu
Seguiu sem dizer nada, partiu meu coração

Santo de casa


O provérbio “Santo de casa não faz milagre”, geralmente, é usado quando o valor de uma pessoa de casa não é reconhecida em razão da importância dada à de fora. 

Às vezes, é também usado quando uma pessoa de dentro da dificuldade não consegue resolvê-la, e vem alguém de fora e ligeiramente soluciona o caso. 

sábado, 4 de junho de 2016

Cassius Clay


Ali ou aqui, tinha três lutadores cearenses pra enfrentar esse cabra: Teógenes, Tamiarana e Pinheirão! E, se duvidar, até o baixinho Côco era capaz de topar a parada!

Grande Muhammad Ali!

(Foto: FB)

Janelas do Brasil


Ensaio do "Janelas do Brasil", com Amelinha e Fagner acompanhados dos músicos Cesar Rebecca e Julinho Brau.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Iletrado Arquelau

Arquelau.

De poucas letras, o ousado Arquelau fala errado que só. Muitas vezes, ele derrapa no vernáculo de uma maneira mais difícil do que a correta. Por exemplo, “jardinho” ao invés de jardim. Também só diz “obrigada” e quando corrigido é, contesta: “É obrigada, sim! Quer saber mais do que a minha patroa que é professora do ensino fundamental?”

Pois bem, semana passada, Arquelau encontrou-se com Carlinhos Anafabético. A conversa alargava-se, quando, incomodado com tantos erros de português, ao ouvir repetidamente o teimoso iletrado só chamar “bonel”, o professor decidiu corrigi-lo. 

- Arquelau, pelo amor de Deus, não é “bonel”!
- É não, é? 
- Não. 
- E acuma é?!
- Desisto...

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Perda: José Telles

Jogo de adivinhação

Sitônio da Parangaba e Zé da Onça.

A arapongagem é um tipo de espionagem praticada através de escutas telefônicas e conhecida também como grampo.

Pois bem, para tratar de um assunto referente a uma informal negociação na Feira dos Pássaros, Sitônio da Parangaba telefonou para o ingênuo Zé da Onça. Diante do festival de arapongagem que assola o país, precavido, tentou despistar. 

- Alô?
- Amigo?
- É o Zé, Sitônio!
- Não precisa falar nome... 
- Por que, Sitônio?
- Bem... Zé, sabe o Bigode? 
- O Antoim Maria? 
- Zé... Ele foi pegar a encomenda? 
- Você diz a mercadoria sem nota? 
- Ô, Zé... Ele entregou praquele nosso amigo?
- O "nosso amigo" que você fala é o Arquelau! 
- Zé, por favor... 
- Por favor, não, Sitoimzim. Foi tudo pago! Profissional!
- Zé, isso não é um jogo de adivinhação, não... 
- Ó, Sitônio, você sabe que eu sei das coisas. 
- Sei... 
- Pois entonce, manda outra! Não erro uma!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Constelações Nordestinas

Totonho Laprovitera - Constelação Calango Cego - 2015 - ASM com aplicação de espinhos de mandacaru - 45 x 60,5 cm

Formadas pelo conjunto de estrelas celestes, as Constelações chispam no céu do sertão nordestino.

Para avistá-las, nem é preciso aprumar muito a vista. À noite, basta espiar pra riba, na escuridão do firmamento mirar os pontos de luz, marcá-los com espinhos de mandacaru, e traçar suas figuras com as linhas da imaginação.

(Foto: Jari Vieira)

terça-feira, 31 de maio de 2016

Percursos


Compartilho com vocês a minha alegria de participar da exposição coletiva “Percursos”, de 31 de maio a 30 de junho de 2016, em comemoração aos 13 anos da Galeria Vicente Leite, da FA7.

Abertura: Hoje, terça-feira, às 20h.

Galeria Vicente Leite: Rua Almirante Maximiano da Fonseca, 1395 / Fa7.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Galeria Urbana


Joana e Totonho Laprovitera participam da intervenção Galeria Urbana, no Centro Cultural Gam, em Santiago, Chile.

domingo, 29 de maio de 2016

Mucuripe


Fim de tarde... O sol se pondo... A noite chegando... Nos vaivéns das ondas, a música mergulha nas águas e navega nos sonhos da enseada do Mucuripe.

domingo, 1 de maio de 2016

Provérbio português


"Onde se come, ficam migalhas."

Pessoas felizes, empresa sustentável

Fernando Mantovani é managing director da Robert Half.

Por Fernando Mantovani

"Sustentabilidade é um tema em voga há alguns anos. Ao contrário do que muitos pensam, porém, esse termo não trata apenas de ações voltadas ao meio ambiente. Empresas sustentáveis vão além disso – elas pensam em todos os públicos, no impacto causado sobre as comunidades onde atuam, saúde financeira, relacionamento com clientes, fornecedores e funcionários. E é esse último que mais nos interessa, já que esse é um blog de carreira.

Empresas que ouvem, respeitam e reconhecem seus funcionários garantem uma sustentabilidade maior do negócio. Isso cria um círculo virtuoso: quem é respeitado passa a respeitar a empresa de volta, se sente responsável e se engaja com os projetos da companhia. Muitos passam a desenvolver um sentimento de 'dono': o objetivo do colaborador passa a ser fazer a empresa crescer, porque assim ele cresce junto.

É claro que na maioria das organizações isso ainda é uma utopia. Essa sustentabilidade se conquista com a implementação de uma cultura que preze princípios como ética, honestidade, meritocracia, reconhecimento. Não é algo feito de um dia para o outro. Felizmente essas empresas estão em número cada vez maior, porque crescem e ganham mercado, consequentemente atraindo bons profissionais.

O lado vicioso desse círculo é quando a empresa não se preocupa em preparar gestores, em valorizar seus talentos, em observar o comportamento dos líderes com suas equipes. A parte da liderança é vital para as empresas porque é o maior foco de pedidos de demissão – hoje os profissionais já não suportam maus chefes. Um sinal de alerta é uma rotatividade alta demais em alguma equipe. No curto e médio prazos, essa rotatividade gera custos com desligamento, novas contratações, treinamentos técnicos. No longo prazo, a empresa passa a ter problemas mais sérios com gestão de conhecimento e reputação. E isso pode custar a sobrevivência no mercado.

Ainda há quem deixe esse aspecto da sustentabilidade de lado, mas é sempre bom lembrar que uma empresa é feita de pessoas. Lucros, projetos e ganho de mercado são apenas um resultado do esforço de todos esses profissionais, que estão lá com propósitos, sonhos e vontade de produzir. Proporcionar isso é bom para todo mundo – e pode significar o sucesso do seu negócio."