sábado, 22 de março de 2014

Artefuneral


A maquiagem dos mortos para a visualização pelos vivos durante um funeral com caixão aberto, tem a intenção de fazer com que o falecido apareça como ele era em vida. Os profissionais do tal ofício, geralmente, recebem treinamento formal em cosmetologia ou ciência mortuária.

Pois bem, falando nisso, fui a um velório de um amigo, onde me encontrei com o João Bosco Maia Martins. À beira do caixão, observamos o quanto o finado estava bem maquiado. Seu semblante, de uma serenidade eterna, fazia com que o desenho bem delineado da boca esboçasse um leve sorriso. A pele, uma porcelana. Trabalho, certamente, de um exímio necro-maquiador.

- Bosco, como nosso amigo ficou bem. Comentei.
- Parece até que tá dormindo, Totonho.
- Parece mesmo...
- Totonho...
- Diga, Bosco.
- Eu acho que ele devia ter chamado esse maquiador era quando estava vivo...
- Por que?
- É que ele morto tá com uma aparência bem melhor do que a de quando estava vivo...

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