quinta-feira, 8 de maio de 2014

A viúva do Arquelau


Desesperada, apoiada no caixão à beira da sepultura, a viúva pranteava a despedida do seu devotado esposo:

- Arquelau, meu amor, por que você se foi assim, tão de repente?!
- Calma, Irene, Deus haverá de lhe abençoar com a dádiva da conformação... Comentou um compadre.
- Arquelau, como é que eu vou viver sem você, meu amor?!
- Irene, tenha fé que Arquelau vai lhe olhar do Céu... Pronunciou uma amiga de trabalho.
- Arquelau, eu não aguento tanta dor, tanto sofrimento!
- Irene, é preciso ter fé na misericórdia de Jesus... Sugeriu uma vizinha.
- Arquelau, meu amor... Arquelau... Meu Deus, eu quero ir com você, Arquelau!

Nesse exato momento, coincidentemente, o esquife escorregou à cova, fazendo ruir uma barranca que tragou a inconformada viúva para a sua profundeza. Diante do grande sobressalto, o espanto se fez calar quando ela gritou:

- Pelo amor de Deus, minha gente! Me tirem daqui que eu sou muito nova pra morrer!

Do livro que ando escrevendo.
(Foto: Google)

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