domingo, 13 de janeiro de 2013

Pinada



Aconteceu logo depois do embarque no Terminal. O ônibus da linha Grande Circular estava lotado até a tampa, quando, na hora que deram o primeiro sinal, o motorista largou o pé no freio e os passageiros, suados e espremidos, em tempo de cair, uns aos outros se contrabalançaram.

Depois do coletivo ter largado da parada, todos já equilibrados, eis que surgiu uma gasguita voz:

- Tenha vergooonha, seu cabra véi safado! Fica pinando na gente!

Aí, o acusado se virou para o trocador e disse:

- Como é que pode, macho? Chego no ônibus aqui lotado e tal, sem lugar nem pra se coçar, e aí vem essa dona dizer que eu tô encostando nela!

O trocador balançou a cabeça e riu, mas, a enronha continuou:

- Sabe pedir licença não?! – Disse a “pinada”.
- Dona, a negada tinha que descer na parada e só vai empurrando pra poder passar. Não tem como não encostar! – Argumentou o “pinante”.
- Encostar é uma coisa, se esfregar é outra... Isso é uma falta de absurdo dentro do transporte público...
- Dona, me respeite...
- Ainda mais... Anda no osso...
- Dooona...
- Que é isso no bolso?!
- Dooona...
- Tá mais pra uma garrafa de Crush do que prum Drops...
- Dooona...
- Cabra nojento...
- Dooona...
- “Dooona”, o que, seu tarado?!
- Dona, faça o favor de se desencostar de mim, que o ônibus já está folgado há uma meia hora e eu quero descer!

O cidadão deu sinal, o ônibus parou, ele desceu e da calçada gritou:

- Ô bicha feia! Parece uma porca prenha!

Zarpando, da janela do ônibus, a dona deu-lhe um grande cotoco, retribuído com um longo e debochado flato bocal!

Em tempo: Pra quem não sabe, habitualmente usado no Nordeste, pinar é o termo popular que define o ato realizado por um indivíduo do sexo masculino, que consiste em esfregar o seu membro em terceiros com o consentimento ou não da vítima.

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